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Dívida cresce, mas acordo com bancos anima BRF

A despeito da trajetória explosiva de seu endividamento, a BRF considera ter a vida resolvida com os bancos até 2020, de acordo com uma fonte próxima. Desde que Pedro Parente assumiu a presidência do conselho de administração da companhia, no fim de abril, a BRF fechou acordos com três dos mais importantes bancos: Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.

A avaliação é que, com esses acordos, a empresa poderá avançar no processo de venda dos ativos na Argentina, Tailândia e Europa sem estar com uma faca no pescoço. A partir dos acordos com os bancos, a BRF conseguiu rolar boa parte dos passivos que venciam neste e no próximo ano. Quando a BRF divulgou o resultado do primeiro trimestre, em maio, a situação delicada ficou escancarada. Sofrendo com embargos que minaram a capacidade de geração de caixa, a BRF tinha de lidar um cronograma de vencimento das dívidas apertado. Do endividamento de R$ 21,3 bilhões, R$ 8,3 bilhões venciam em 2018 e 2019 - R$ 2,6 bilhões este ano e R$ 5,7 bilhões no próximo.

De lá para cá, o montante que vence até 2019 caiu para cerca de R$ 5,1 bilhões - R$ 1,8 bilhão neste ano e o restante no próximo. Essa redução foi obtida, sobretudo, com os contratos de novos financiamentos e rolagem firmados com Banco do Brasil, Bradesco e Itaú.

O principal desses acordos foi com o Banco do Brasil. Conforme a empresa anunciou em julho, o acordo de R$ 3,2 bilhões com o banco estatal consistiu na rolagem e concessão de novos empréstimos, que agora vencerão em três anos. Somado ao acordo com o Bradesco, o montante renegociado atingiu R$ 4,3 bilhões.

O próximo passo na estratégia da BRF é atingir a meta de monetizar R$ 5 bilhões ainda este ano com o plano de emergência anunciado no fim de junho por Parente.

Na última sexta-feira, antes da divulgação do resultado do segundo trimestre, a BRF anunciou a contratação dos bancos Votorantim, Bradesco BBI e BB Investimentos para antecipar R$ 750 milhões em recebíveis por meio da estruturação de um fundo de investimentos de direitos creditórios (FDIC). Com isso, a companhia ainda precisa de R$ 4,2 bilhões para monetizar os R$ 5 bilhões. A expectativa é que a maior parte venha da venda dos ativos operacionais na Argentina, Tailândia e Europa. A venda de ativos não operacionais (florestas e participações minoritárias) também está no radar.

Se conseguir mesmo monetizar os R$ 5 bilhões, a BRF dará mais um passo importante na equalização das dívidas. Não à toa, esse montante cobriria praticamente toda a dívida da empresa que vencerá em 2018 e 2019. No fim do segundo semestre, a dívida bruta da BRF totalizava R$ 23,2 bilhões. O prazo médio do pagamento é 3,5 anos.

Em outra frente, a empresa também está pronta para captar cerca de US$ 1 bilhão em bonds com vencimento em dez anos. Assim que houver uma oportunidade no mercado, a BRF fará essa emissão, disse uma fonte. A avaliação na empresa é que, ao menos até 2019, essa oportunidade vai aparecer. Com a emissão desses bonds, a companhia alongaria bem as dívidas. Os principais vencimentos passariam a ser nos anos de 2022 e 2023.

Se esse cenário de reestruturação das dívidas tiver êxito, como fontes próximas à BRF acreditam, a empresa poderá concentrar as atenções na área operacional, que sofreu muito nos últimos anos e ainda preocupa os analistas, sobretudo nos negócios fora do Brasil. Na última sexta-feira, a BRF reportou um prejuízo de mais de R$ 1,5 bilhão no segundo trimestre e sinalizou que a tendência negativa no mercado internacional deve prosseguir, o que fez suas ações caírem mais de 6,4% na B3, a R$ 20,44.

Para a BRF, recuperar mercados, como Rússia e União Europeia, seria de grande valia. Em teleconferência na sexta-feira, Parente demonstrou otimismo com a reabertura russa. A Europa, porém, parece um sonho distante. Fontes graduadas são pessimistas a esse respeito. A era em que o Brasil exportava 400 mil toneladas de carne de frango acabou, vaticina um executivo muito próximo à BRF.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)



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