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Soja: com dólar acima dos R$ 4 e Chicago estável, preços no BR tem novas altas

Nesta terça-feira (20), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago terminaram o dia com estabilidade, porém, do lado positivo da tabela. Os preços subiram entre 1,50 e 1,75 ponto nas posições mais negociadas, com o novembro valendo US$ 8,68 e o março/20, US$ 8,95 por bushel. O mercado registrava ganhos melhores mais cedo, que passavam de 7 pontos, porém, foi amenizando-os ao longo do dia. Embora a safra norte-americana ainda inspire muita preocupação, a demanda fraca pelo produto dos EUA mantém uma pressão severa sobre as cotações no mercado internacional, e tira o combustível dos preços. "O mercado, durante a última sessão noturna, até tentou precificar um potencial de redução de produtividade, em consequência de uma má formação vegetativa da safra de grãos no país. Entretanto, as cotações seguem sob a influência de uma demanda restrista neste ano comercial", explicam os diretores da ARC Mercosul. Além disso, o último final de semanal foi de chuvas melhores do que o esperado, chegando a importantes regiões produtoras. Mais do que isso, os próximos dias também deverão ser precipitações consideráveis. "Em teoria, tais chuvas extras são altamente favoráveis para a grande maioria das regiões produtoras de soja e milho, uma vez que tais culturas estão adentrando os estágios de reprodução. Entretanto, uma recuperação de produtividade é improvável", complementam os especialistas da ARC. Nesta semana, todos os olhos do mercado internacional de grãos estão voltados para o tradicional ProFarmer Midwest Crop Tour, um dos mais antigos tours de safra dos EUA, conhecido por trazer números bem próximos da realidade das lavouras norte-americanas. E como já era de se esperar, nas primeiras paradas feitas pela equipe já puderam ser verificados problemas sérios de maturação e desenvolvimento dos campos Corn Belt a fora, além de grandes extensões de área que não foram plantadas. Ainda na atenção dos traders estão as novidades vindas das relações comerciais entre China e Estados Unidos, os movimentos de ambos na guerra comercial e até mesmo na possiblidade de Xi Jinping visitar os EUA nas próximas semanas para dar continuidade às negociações com Donald Trump. PREÇOS NO BRASIL A terça-feira foi de novas altas para os preços da soja, principalmente no interior do Brasil. Em importantes praças do interior do país, os ganhos passaram de 2%, e as referências têm variado entre R$ 70,00 e R$ 84,00. Nos portos, as cotações também subiram de maneira significativa nesta terça. Os ganhos foram de 1,79% no disponível em Paranaguá, onde o último preço foi de R$ 85,50 e de 1,76% para R$ 86,50, no indicativo setembro. Em Rio Grande, altas respectivas de 1,80% e 1,06%, com preços no final do dia em R$ 84,80 e R$ 85,70 por saca. Embora o dólar tenha recuado nesta sessão, continua ainda bastante alto e acima dos R$ 4,00. A moeda americana terminiou o dia com queda de 0,40%, valendo R$ 4,05 e atuando como importante catalisador dos preços da soja no Brasil. A demanda intensa pela soja brasileira tem motivado também uma boa recuperação dos prêmios no país. Do lado do comprador, os valores têm variado, nas principais posições de entrega, entre 105 e 115 centavos de dólar acima dos preços praticados na Bolsa de Chicago. Já do lado do produtor, ainda de acordo com informações apuradas pela Brandalizze Consulting, a pedida é entre 150 e 170 cents sobre a CBOT. Diante disso, o Brasil já tem 57,7 milhões de toneladas de soja embarcadas este ano, de acordo com os últimos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O ritmo dos embarques brasileiros segue bastante aquecido e se intensificou ainda mais depois que a China voltou a comprar mais frequentemente nas últimas semanas. Somente na primeira quinzena de agosto foram quase 3 milhões de toneladas.

(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)



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