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Soja: disponível sobe mais de 1% nos portos do BR nesta 5ª com altas do dólar e Chicago

Ontem, a quinta-feira (19) foi de bons negócios para o mercado brasileiro da soja. As altas, embora tímidas, registradas na Bolsa de Chicago e mais o forte avanço do dólar frente ao real deram algum impulso à comercialização da oleaginosa. A moeda americana subiu mais de 1% e voltou ao patamar dos R$ 4,15. Como explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, a combinação de ganhos em Chicago e no câmbio ajudaram a dar fôlego aos negócios. Os preços nos portos subiram mais de 1% nas principais referências e ganhos ainda mais expressivos puderam ser observados em algumas praças de comercialização do interior do país. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com R$ 85,50 e alta de 1,79%, enquanto para março o valor ficou em R$ 84,70. No terminal de Rio Grande, alta de 1,78% para R$ 85,70 no spot e estabilidade em R$ 85,00 para março de 2020. Entre os prêmios, os valores também se manter e fechar o dia não muito distante dos valores do dia anterior, o que também favoreceu o mercado interno. BOLSA DE CHICAGO Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja terminaram o pregão desta quinta-feira com altas de pouco mais de 3 pontos nos principais contratos, com o novembro valendo US$ 8,93 por bushel, enquanto o março/20 foi a US$ 9,18. O mercado encontrou algum suporte nas vendas semanais norte-americanas para exportação, divulgadas nesta quinta-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Foram de 1,728 milhão de tonelada, acima das expectativas do mercado, que variavam de 700 mil a 1,1 milhão de toneladas. Os maiores compradores da oleaginosa norte-americana foram a China, o México e o Egito. E embora as vendas semanais tenham sido fortes e acima do esperado, no acumulado do ano comercial o total de 11,181 milhões de toneladas ainda se mostra abaixo do mesmo período do ano anterior em 37%. Ainda assim, os traders seguem à espera de novas informações, principalmente do lado da demanda, e atuam com cautela, buscando um bom posicionamento antes da chegada destas notícias. E nesta quinta, negociadores chineses e americanos se encontram em Washington para preparar o ambiente para os times do alto escalão que se reúnem na capital americana em outubro. Segundo especialistas, esse primeiro encontro - depois de dois meses do último - acontece em meio a muitas diferenças e desacordos. "O mercado continua não se impressionando com 3 dias consecutivos de compras de soja americana pela China (já vimos esse filme antes e a guerra comercial continua) e, portanto, preferem esperar as reuniões do início de outubro para ver se vale a pena se posicionar com mais otimismo", explica o consultor da Cerealpar e da AgroCulte, Steve Cachia. E o executivo explica ainda que a pressão sazonal da colheita nos EUA também ainda pesa sobre os preços em Chicago neste momento. Para o milho, os trabalhos de campo já começaram. "Fora noticias de exportações, só uma mudança nos mapas climáticos (geada) para as próximas 2 semanas será capaz de animar os traders", conclui Cachia. No Brasil, o atraso das chuvas também chama a atenção e ainda não dá condições de plantio para alguns estados importantes que já têm a semeadura liberada, como Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os níveis de umidade do solo ainda são insuficiente e o calor intenso continua. No cenário externo, os traders acompanham esse início de safra um tanto preocupante para os produtores brasileiros, porém, sem ainda trazer reflexos para o mercado.

(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)



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