Segunda-feira, 23 de Julho de 2018
Matérias-Primas

Fartura de grãos com oferta bem distribuída, contém agroinflação
São Paulo, 09 de Outubro de 2017 - Uma das grandes responsáveis pela manutenção dos índices inflacionários do país em baixos patamares neste ano, a produção recorde de grãos do ciclo 2016/17 tende a evitar pressões significativas de alta dos alimentos sobre o custo de vida mesmo durante o atual período de entressafra.

Se a oferta de feijão está menor do que se imaginava, o que oferece sustentação à leguminosa, a de arroz, complementada por importações desde vizinhos do Mercosul, deve ser mais do que suficiente para manter os preços combinados da dupla que mais frequenta o prato do brasileiro em níveis comportados nos próximos meses.

E, com a ajuda de volumosas colheitas de soja e milho - o cereal está cerca de 30% mais barato que no mesmo período de 2016 -, as carnes também deverão permanecer mais acessíveis mesmo no quarto trimestre, quando tradicionalmente as encomendas para as festas de fim de ano provocam picos indigestos aos bolsos - milho e farelo de soja representam 70% dos custos da avicultura, por exemplo.
No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) o subgrupo carnes registrou deflação de 4,2% de janeiro a setembro deste ano. O peso das carnes no resultado geral até o mês passado (alta de 1,78%) foi de 2,62% - o frango inteiro respondeu por 0,45% e a fatia da carne de porco foi de 0,22%.

Também pressionado por reflexos baixistas derivados da Operação Carne Fraca - deflagrada pela Polícia Federal em março com foco em casos de corrupção entre fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos - e pelas delações dos irmãos Batista, que vieram à tona em maio, essa deflação das carnes foi bem superior à dos nove primeiros meses de 2016 (0,63%), quando a demanda estava menor em consequência da crise.

Segundo a Tendências Consultoria, os preços do frango deverão subir 10% no quarto trimestre em relação ao terceiro, mas na comparação com o mesmo intervalo do ano passado ainda haverá queda também de 10%. Com relação ao suíno vivo, Felipe Novaes, da Tendências, prevê aumento de 3,5% de outubro a dezembro em relação a entre julho e setembro e estabilidade sobre o fim de 2016.

Como normalmente acontece, os preços da carne bovina também continuarão a "balizar" os das carnes de frango e suína, alternativas mais baratas. E, como o ritmo de abate de bois foi afetado pela Carne Fraca e pelas delações, mas voltou ao normal e o atual ciclo da pecuária é de oferta mais elevada, a carne bovina tem pouco espaço para aumentar.

Somadas a esses fatores "extra campo" que tanto colaboram para que os alimentos produzam a inflação dos sonhos do governo, há questões estruturais relativas à produção de soja e milho e que, atualmente, restringem os picos de entressafra, que eram normais nesta época há alguns anos.

O tamanho das colheitas é o primeiro deles. No ciclo 2000/01, a safra de soja foi de 38,4 milhões de toneladas e a de milho atingiu 42,3 milhões. Em 2016/17, sem os problemas climáticos que geraram quebra no ano passado - e puxaram para cima a inflação dos alimentos -, foram 114,1 milhões de toneladas de soja e 97,7 milhões de milho.

Ainda que grande parte desses volumes sejam destinados à exportação, o fato é que a indústria de carnes tem menos problemas para se abastecer hoje do que no início do milênio. E esse abastecimento é mais regular, principalmente por causa da mudança de perfil da produção de milho.

Em 2000/01 a primeira safra de milho, colhida no verão, rendeu 35,8 milhões, seis vezes mais que a segunda safra, então chamada de "safrinha", normalmente plantada depois de concluída a colheita de soja de verão. Já em 2016/17 foram 30,5 milhões de toneladas na primeira safra e 67,3 milhões na segunda, cuja colheita termina no início do segundo semestre.

Como a "safrinha" virou "safrona", em mais uma demonstração da força dos produtores brasileiros de grãos, que otimizaram o uso da terra em suas propriedades, a oferta do cereal ficou melhor distribuída ao longo do ano, evitando sobressaltos - a não ser no caso de quebras climáticas como a de 2016.

"Olhando os últimos anos sem quebras, o que notamos é que, de fato, as altas do milho ficaram menos proeminentes no fim do ano", disse Felipe Novaes, da Tendências. Ele notou, porém. que esse aumento menor também não foi necessariamente traduzido em menores preços de carnes de frango e suíno ao consumidor, em virtude da influência da carne bovina.

"Claro que o preço do milho vai influenciar na margem [dos frigoríficos], mas não necessariamente no preço final", disse Novaes. Mesmo com custos maiores no ano passado, após a quebra de safra, os frigoríficos tiveram dificuldade de repassar preços e margens foram sacrificadas para manter o volume de vendas. Hoje a situação mudou.

Como realça estudo da consultoria MacroSector, essa situação mudou também porque os preços internacionais dos grãos estão em patamares mais baixos que no início desta década, e porque o real está mais valorizados em relação ao dólar, o que tira um pouco da competitividade das exportações brasileiras.

São fatores que, aparentemente, não vão mudar no curto prazo, mas que em algum momento poderão desequilibrar a balança. A expectativa de uma alta de juros nos EUA, por exemplo, costuma manter as cotações das commodities em patamares mais baixos, independentemente de seus fundamentos de oferta e demanda - o valor do dólar e das commodities caminham em direções opostas, até para manter a competitividade da produção americana.

E esses fundamentos, por sinal, atualmente indicam relações confortáveis. Sem grandes quebras mundo afora, no mercado de soja os estoques finais globais previstos pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para o ciclo 2017/18, iniciado em setembro, deverão representar 28,3% da demanda. No milho, a conta resulta em 19,2%.

No tabuleiro da soja, que dos principais grãos negociados no mercado internacional é o de produção menor, o risco acaba sendo um pouco maior de desvios inesperados na rota internacional, uma vez que a oferta é muito concentrada no EUA e Brasil.

No caso do milho, há outro "porém" que poderá atrapalhar a distribuição mais regular da oferta no país. Para Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone, a constante redução de área da safra de verão de milho no Brasil poderá, se a tendência se aprofundar, provocar uma sazonalidade invertida no preço do cereal. "Se, por algum motivo, tivermos um estoque menor, podemos ter desabastecimento de milho nos primeiros meses do ano. Não seria surpreendente".

"O que manda é o preço", pontua Juliano Cunha, analista da consultoria Céleres. Ele lembra que, no fim de 2016, a cotação do milho estava elevada em função da quebra de 2015/16, e isso provocou aumento de 14,6% na área da primeira safra do cereal em 2016/17.
(Valor Econômico) (Kauanna Navarro e Fernando)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 23/07
Sexta-Feira, 20/07
Cobb-Vantress promoverá amanhã a quarta edição da Queima do Frango (13:46)
Turra debate proteína animal e expansão agrícola durante o GAF 18 (10:54)
Biosseguridade na Avicultura entra na Programação do Canal Rural (10:52)
Granja Pinheiros bate recorde de produção em matrizes com o Ross 308 AP (AP95) no Brasil (09:49)
Embrapa lança cartilha de boas práticas de produção de postura comercial (08:50)
Inscrições abertas para o 2º Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba (08:29)
Plano de Parente para BRF anima investidor (08:21)
Suíno segue se desvalorizando e Boi busca recuperação: acompanhe as análises de mercado do CEPEA (08:15)
CNA levanta custos de produção de grãos no PR (08:12)
Milho: mercado sobe pelo 3º dia consecutivo em Chicago (08:09)
Soja tem mais um pregão estável na Bolsa de Chicago nesta 6ª feira com traders cautelosos (08:00)
Quinta-Feira, 19/07
Instituto Ovos Brasil participa da Festa do Ovo de Bastos (09:33)
Biovet Vaxxinova anuncia nova Diretora de P&D e Assuntos Regulatórios (09:15)
FAO mostra um Brasil de importador a exportador de alimentos em duas décadas (09:00)
ABPA pede retirada de barreiras na exportação de carne de ave e de frango (08:30)
Cobb-Vantress é eleita a melhor empresa para trabalhar na região de São José do Rio Preto (08:14)
Milho: mercado inicia pregão desta 5ª feira próximo da estabilidade na CBOT (08:02)
Soja testa ligeiras baixas em Chicago nesta 5ª feira com mercado ainda bastante técnico (08:00)
Quarta-Feira, 18/07
Vetanco se faz presente em mais uma Festa do Ovo de Bastos (14:18)
Novo sistema da Secex gera dúvidas sobre dados de exportação de carne (08:30)
Alta do dólar impulsiona margem dos frigoríficos de carne bovina (08:20)
Valor Bruto da Produção Agropecuária está estimado em R$ 562,4 bilhões (08:10)
Milho: mercado testa tímidos ganhos na manhã desta 4ª feira em Chicago (08:06)
Soja tem estabilidade em Chicago nesta 4ª feira e busca manter movimento de recuperação (08:00)
Terça-Feira, 17/07
Frango fica menor e mais caro um mês e meio depois do fim da greve dos caminhoneiros (09:33)
Exportação de material genético avícola cresce 33% no semestre (09:31)
Inscrições pela internet para o Encontro Técnico Avícola terminam nesta terça-feira (09:00)
Aviagen investe estrategicamente em seu programa de melhoramento genético no Reino Unido (08:50)
Itaú BBA, Bradesco BBI e Morgan Stanley irão assessorar BRF em vendas (08:33)
5ª FAVESU já tem data e local confirmados (08:19)
Curso sobre incubação de ovos começa nesta quarta-feira 18/07, em Cascavel (PR) (08:14)
Com guerra comercial, cotação da carne suína desce a ladeira nos EUA (08:11)
Exportações de carne suína totalizam 278,3 mil toneladas no 1° semestre (08:10)
Milho: mercado tem dia correção técnica e fecha pregão desta 2ª com ligeiras valorizações em Chicago (08:06)
Soja sobe pelo 2º dia consecutivo em Chicago nesta 3ª feira com suporte nas condições das lavouras dos EUA (08:00)
USDA reduz índice de lavouras de soja e milho em boas ou excelentes condições (07:48)