Sábado, 26 de Maio de 2018
Mercado

Carne de frango no fundo do poço
São Paulo, SP, 10 de Maio de 2018 - A crise enfrentada pela indústria brasileira de carne de frango, em especial a líder BRF, atingiu o fundo do poço. Tanto que os preços do produto, que caíram quase 8% em abril, já esboçam alguma reação. A expectativa é que, aos poucos, a sobreoferta de frango provocada pelo embargo da União Europeia a 20 abatedouros de aves do país deverá ser amenizada, na medida em que a produção se ajustar a partir da paralisação temporária de diversos frigoríficos.

Do lado dos custos de produção, que também pressionam a rentabilidade das empresas do segmento, o cenário igualmente dá sinais de melhora. Após disparar nos primeiros meses de 2018, o preço do milho cedeu um pouco em abril - o indicador Esalq/BM&FBovespa recuou 2,3% no mês -, e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já alertou os agricultores que estão segurando suas vendas de que poderá haver "pressão de baixa" no médio prazo". Desde o início do ano, o cereal acumula valorização de 22%.

O próprio movimento de redução da produção de frangos reduz a demanda por grãos, gerando reflexos positivos nos preços da ração - composta basicamente por milho e farelo de soja. Considerando apenas a BRF, que reduzirá seus abates diários em cerca de 1 milhão de frangos durante um mês, a demanda por milho poderá diminuir até 90 mil toneladas - o volume depende do tamanho das aves que deixarão de ser vendidas -, de acordo com três especialistas consultados pelo Valor.

"A gente já bateu no fundo do poço em termos de preço e prazo de resposta das empresas", disse ao Valor o vice-presidente de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. De acordo com o dirigente, abril foi o período mais difícil do ano para o segmento. Foi quando os reflexos negativos da Operação Trapaça, que investiga fraudes em testes de salmonela que teriam sido cometidas pela BRF e laboratórios de análises, se mostraram mais claramente.

Em abril, o preço da carne de frango congelada no atacado da Grande São Paulo recuou 7,9%, para R$ 2,91 o quilo, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). "O descredencimento de 20 unidades frigoríficas [pela UE, que reduziu as exportações], mexeu no mercado e pressionou os valores", afirmou Juliana Ferraz, analista de carnes do Cepea.


Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) sobre as exportações de carne de frango in natura mostram o quão perturbador foi abril. Os embarques totalizaram 252 mil toneladas, quase 100 mil a menos que em março e volume 14% mais baixo que em abril de 2017.

Mas, ainda que o quadro permaneça delicado, visto que dificilmente a UE reabilitará os frigoríficos embargados no curto prazo e que a Arábia Saudita - maior importadora do produto brasileiro - também impôs dificuldades ao exigir mudança no abate das aves, a avaliação da ABPA é que, com o fechamento temporário de unidades, a oferta deverá se ajustar. E, conforme Santin, os impactos dessa redução deverão começar a ser sentidos em junho.

A partir deste mês, funcionários da linha de abate de três frigoríficos da BRF entrarão em férias coletivas, o que deverá reduzir o abate diário de frango da companhia em 15%. A central catarinense de cooperativas Aurora também anunciou férias coletivas em duas unidades - uma vai parar em junho e outra em julho. Empresas menores do Sul também decidiram reduzir o ritmo.

Com isso, a relação entre oferta e demanda caminha para um ajuste. Mas isso é só um alento, ponderou Santin. Se ao longo do segundo semestre não houver uma evolução nas negociações com a UE, e caso as regras de abate para o frango exportado para a Arábia Saudita não sejam flexibilizadas, inevitavelmente haverá demissões, afirmou ele.

A avaliação de Santin é que, em um primeiro momento, empresas de menor porte sofrerão mais, devido à falta de flexibilidade para reduzir a produção de carne de frango sem demitir. No caso das grandes - BRF, Seara (JBS) e Aurora-, que têm vários frigoríficos, é possível evitar demissões por mais tempo mesmo mantendo a produção reduzida.

Em recente entrevista ao Valor, o presidente do Santander no Brasil, Sergio Rial, também destacou que os efeitos mais negativos da crise setorial poderão recair sobre os avicultores de menor porte, e que alguns poderão não sobreviver.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sábado, 26/05
Sexta-Feira, 25/05
Greve dos caminhoneiros: quando um direito vira chantagem (15:04)
Evento Avicultor 2018 está de casa nova (14:55)
Temer sobe o tom e anuncia uso das forças federais para desbloquear estradas (14:53)
ACAV abre inscrições para o 12º Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição (14:32)
ABPA alerta sobre risco de falta de ração nas granjas (14:28)
Manifestantes e governo selam acordo para liberação de cargas essenciais no Paraná (14:23)
BOI e SUÍNO: acompanhe as análises de mercado do CEPEA (09:06)
Maggi recebe na OIE certificado do Brasil livre da aftosa com vacinação (08:13)
Indústrias de suínos e aves param hoje (08:11)
CNA defende solução imediata para bloqueio nas estradas (08:09)
Greve já provoca canibalismo entre aves (08:07)
Produção global de milho em queda (08:06)
Milho: após altas recentes, mercado passa por correção nesta 5ª feira e exibe leves quedas na CBOT (08:05)
Área plantada de soja voltará a aumentar (08:01)
Soja fecha com leves baixas em Chicago nesta 5ª feira, mas preços se mantêm nos portos do BR (08:00)
Quinta-Feira, 24/05
Wisium reforça atuação na região Sul e apresenta Gerente de Negócios (11:53)
ABPA alerta para liberação das cargas vivas (11:41)
Greve dos caminhoneiros impacta o agronegócio de SC (10:21)
Conferência FACTA 2018 reúne setor avícola e coloca a salmonela em discussão (09:59)
Entrevista com Dr. Sérgio Puppin, autor do livro "Ovo - O Mito do Colesterol" (09:36)
Alimentos com maior peso no consumo das famílias ajudam a derrubar inflação (09:29)
Brasil recebe certificação oficial de País Livre da Aftosa (09:20)
Boehringer Ingelheim Saúde Animal promove Road Show Aves 2018 para discutir temas ligados à sanidade avícola (09:08)
STF reafirma constitucionalidade do Funrural e nega modulação (08:57)
Greve dos caminhoneiros paralisa frigoríficos e laticínios (08:22)
Brasil já deixou de exportar US$ 60 milhões em carnes por causa de greve (08:20)
Deus salve o frango! (08:10)
Preço do milho segue firme no mercado interno (08:08)
Soja tem boas altas em Chicago nesta 5ª de olho no clima do Corn Belt (08:00)
Quarta-Feira, 23/05
Justiça determina liberação imediata de 6 rodovias federais (21:32)
Associação de caminhoneiros ameaça interromper trânsito de carga viva (18:39)
Greve de caminhoneiros paralisa mais da metade da produção de carne suína e de aves (18:36)
Comer um ovo por dia pode proteger o coração, sugere estudo (08:52)
Ovos cage free: granjas da Argentina e Chile recebem selo Certified Humane (08:44)
Marfrig avança no processo de venda da Keystone (08:41)
Sem transporte, 40 processadoras de carnes serão paralisadas no Brasil (08:34)
Greve dos caminhoneiros atinge estradas de 22 estados, diz PRF (08:28)
Paralisação de caminhoneiros afetou chegada de grãos a Paranaguá (08:10)
Milho: em Chicago, mercado sobe pelo 2º dia consecutivo com suporte do trigo e de olho na demanda (08:05)
Soja: altas em Chicago amenizam pressão do dólar e portos do BR se mantêm acima dos R$ 85/saca (08:00)
Terça-Feira, 22/05
Greve dos caminhoneiros causa paralisação total na Aurora Alimentos (18:35)
ABPA alerta sobre os riscos de continuidade das paralisações e bloqueios nas rodovias federais e estaduais do País (10:31)
Fim do embargo russo a carnes está próximo (08:52)
Preços agropecuários em São Paulo subiram 2,14% em abril (08:24)
Rússia reabrirá seu mercado às carnes do Brasil (08:19)
Milho: mercado brasileiro apresenta leves movimentações (08:05)
MILHO/CEPEA: incertezas quanto à produtividade e alta do dólar elevam preço interno (08:02)
SOJA/CEPEA: dólar se valoriza, mas prêmio e preço externo recuam no Brasil (08:01)
Chicago x Dólar: preços da soja no BR mantêm equilíbrio após dia intenso (08:00)