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Chicago x Dólar: preços da soja no BR mantêm equilíbrio após dia intenso
Campinas, SP, 22 de Maio de 2018 - A intensa alta registrada pelos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago na sessão desta segunda-feira (21) teve efeito limitado sobre a formação dos preços no mercado brasileiro. A queda do dólar - que vinha acumulando ganhos significativos na última semana - passou de 1% e pesou sobre as cotações.

No porto de Paranaguá, a soja disponível ficou em R$ 86,50 por saca, recuando 0,46%, enquanto a referência junho/19 terminou o dia com R$ 87,00 e baixa de 0,57%. Já em Santos, estabilidade nos R$ 84,20. Em contrapartida, Paranaguá subiu 1,16% no disponível para fechar nos R$ 87,00.

No interior, os preços também fecharam os negócios desta segunda-feira sem uma direção comum na maior parte das principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas.

Enquanto em São Gabriel do Oeste/MS o preço da saca de soja foi a R$ 73,30 subindo 4,71%, em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, ambas em Mato Grosso, os indicativos cederam mais de 1%. No Paraná, Castro viu uma baixa de 0,57% para R$ 86,50, enquanto Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, teve alta de 1,36% para R$ 74,02.

Onde os preços perderam força a pressão veio, principalmente, da baixa do dólar que, nesta segunda-feira, foi de 1,35%, fazendo a moeda fechar os negócios com R$ 3,6890. A divisa passou por uma correção após um ganho acumulado de 5,44% em seis pregões positivos consecutivos.

"O BC, que foi bastante criticado na semana passada, mostrou as caras para tentar conter a volatilidade do dólar", trouxe a Correparti Corretora em relatório, diz a nota da agência de notícias Reuters.

Ademais, as altas fortes - de mais de 2% no fechamento deste pregão na Bolsa de Chicago - pesaram sobre os prêmios pagos para a soja brasileira, que recuaram até 4,62% em Paranaguá em relação à última sexta-feira (18). A posição de entrega junho/18 tem 62 cents de dólar por bushel, enquanto a julho/18 tem 90.

Os ganhos em Chicago foram motivados, entre outros fatores, pela suspensão da guerra comercial entre China e Estados Unidos, peça que também mexe com o andamento dos prêmios no Brasil.

"Espera-se mais pressão sobre os prêmios no Brasil, que talvez fiquem abaixo do que estavam antes desse episódio todo", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais. "Entendo que o dólar, embora tenha relação com esta negociação por causa do grande déficit externo norte-americano, segue também outros caminhos e, especialemnte, no caso brasileiro, vai seguir oscilando muito. Aí, entram nossos dramas internos também", completa.

Além disso, Motter acredita ainda que, no quadro externo, a tendência é de que a moeda siga se valorizando ainda mais se "estas negociações realmente resultarem - em perspectiva- em redução do déficit dos EUA".

Com esses fatores e apesar de toda a efervescência do mercado, os preços da soja no mercado brasileiro pouco se alteraram e mantiveram, em linhas gerais, os patamares deste início de semana muito semelhantes ao do final da anterior. Assim, os negócios no Brasil ainda encontram bom potencial, mesmo acontecendo de forma pontual, depois de uma participação muito intensa dos produtores nos últimos meses.

"Os produtores vieram participando muito desde o fim de março, tanto que a escala de embarques está alongada. Mas, os preços seguem convidativos. Agora, as variações maiores talvez venham com clima no Meio-Oeste americano", diz o analista.

Mercado Internacional

Na Bolsa de Chicago, a segunda-feira fechou com altas de 25,50 a 26,75 pontos - ou mais de 2,5% - entre as posições mais negociadas, que voltaram a atuar entre os US$ 10,25 e US$ 10,33 por bushel. Os futuros da commodity repercutiram a 'suspensão' da disputa comercial entre China e Estados Unidos registrado durante este final de semana.

"EUA e China chegaram a uma espécie de acordo, pois, eles podem até não gostar um do outro, mas são grandes demais para se ignorarem", diz o diretor de estratégia agrícola do Commonwealth Bank da Australia, Tobin Gorey.

Mesmo sem as negociações estarem finalizadas, os traders receberam com otimismo a notícia, uma vez que há ainda a informação de que os EUA querem aumentar de forma expressiva suas exportações de itens agrícolas para os chineses neste ano em algo entre 35% e 40%.

"Embora não tenha havido um compromisso com valores, a China se comprometeu a aumentar as importações de produtos norte-americanos para aliviar o desequilíbrio comercial entre os dois países. Em troca, os dois países se comprometeram, por enquanto, a não aplicar retaliações", explica Camilo Motter.

Ainda segundo o executivo, dado o fato de a China ser uma grande produtora industrial, de fato,as compras do país deverão aumentar entre as matérias-primas, especialmente os produtos agrícolas.

"Esta informação entrou na formação do preço, suplantando fatores negativos como o bom andamento do plantio e notícias de operações de washout (cancelamentos/recompra de posições) de quase 1 milhão de toneladas dos EUA (observadas na semana passada)", disse Motter.

Ainda hoje, traders atentos também aos números dos embarques semanais de grãos atualizados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) - que vieram bem acima das expectativas do mercado, além do reporte semanal de acompanhamento de safras que traz o avanço do plantio no país. As expectativas do mercado para a soja são de que a semeadura esteja concluída em algo entre 50 e 55% da área.

Na semana encerrada em 17 de maio, os EUA embarcaram 893,680 mil toneladas da oleaginosa, contra 698,645 mil da semana anterior e frente a um intervalo de projeções de 380 mil a 680 mil toneladas. No acumulado do ano comercial, os EUA já têm embarcadas 45.645,368 milhões de toneladas, contra pouco mais de 50 milhões do ano passado, nesse período.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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