Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
Exportação

Disputa entre EUA e México pode beneficiar carne suína do Brasil
São Paulo, SP, 08 de Junho de 2018 - Os exportadores brasileiros de carne suína pediram nesta semana ao Ministério da Agricultura para acelerar as tratativas com as autoridades do México em torno da abertura do mercado do país norte-americano, afirmou ao Valor o vice-presidente de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.

A intenção é aproveitar a oportunidade política aberta pela disputa comercial entre Estados Unidos e México. Em retaliação à sobretaxa aplicada pelo presidente americano Donald Trump contra o aço e o alumínio, o México anunciou ontem uma sobretaxa de 20% sobre uma lista de produtos americanos, entre os quais a carne suína.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o México é o terceiro maior importador mundial de carne suína, perdendo somente para Japão e China. No ano passado, os mexicanos importaram 1 milhão de toneladas do produto. Os Estados Unidos são os principais fornecedores de carne suína para os mexicanos.

“Com a tarifa de 20% [aplicada aos americanos], passamos a ser competitivos”, afirmou Santin. De acordo com ele, o México também criou uma cota livre de tarifa de 350 mil toneladas para ocupar o espaço que era normalmente preenchido pelos Estados Unidos.

Segundo o vice-presidente da ABPA, o Brasil já tem a documentação necessária para pleitar a abertura do mercado do México. Diante disso, o Ministério da Agricultura já acionou a adida agrícola no México para agendar uma reunião com autoridades do país.

A abertura efetiva do mercado do México deve demandar uma missão sanitária de técnicos ao Brasil, o que costuma demorar. No entanto, as tratativas podem acontecer mais rapidamente diante da necessidade mexicana de ampliar o número de fornecedores, avaliou Santin. O vice-presidente da ABPA não mencionou um prazo para a abertura.

No momento, os grandes beneficiários da sobretaxa mexicana à carne suína dos EUA são os produtores europeus. Na terça-feira, o ministro da Economia do México, Ildefonso Guarjado, disse que o país “seguramente” buscará a Europa para importar carne suína.

No ano passado, a União Europeia liderou as exportações globais de carne suína, com 2,8 milhões de toneladas, de acordo com dados do USDA. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição no ranking dos maiores exportadores, com 2,5 milhões de toneladas.

O Canadá ocupou a terceira posição e o Brasil a quarta, com 1,3 milhão de toneladas e 786 mil toneladas comercializadas, respectivamente. Ao todo, as exportações mundiais de carne suína somaram 8,3 milhões de toneladas no ano passado, de acordo com o USDA.

Se conseguir abrir o mercado mexicano, o Brasil ganhará uma opção alternativa à Rússia, que segue fechada para os produtos brasileiros. Até novembro do ano passado, os russos respondiam por 40% das exportações de carne suína do Brasil. Em dezembro do ano passado, Moscou embargou o produto alegando problemas sanitárias.

No mês passado, o Ministério da Agricultura avisou aos exportadores que Moscou poderia reabrir o mercado ainda em maio, mas a expectativa foi frustrada. O mercado russo continua fechada e muitos duvidam que haverá uma reabertura antes da Copa do Mundo, que começa semana que vem na Rússia.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
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