Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
Fiscalização

Pressão derruba diretor de inspeção do Ministério da Agricultura
Brasília, DF, 15 de Junho de 2018 - Sob pressão dos frigoríficos, a cúpula do Ministério da Agricultura decidiu demitir o fiscal José Luís Vargas do cargo de diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), área responsável pela fiscalização federal de carnes, laticínios, fábricas de mel, ovos e pescados.

A exoneração de Vargas, que ficou pouco mais de três anos na função, foi publicada na edição de hoje do “Diário Oficial da União”. Como é fiscal de carreira, Vargas continuará atuando na Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério. Ele foi comunicado da dispensa no fim de semana, e na última segunda-feira avisou sua equipe que estava de saída. Para o seu lugar, já foi escolhido o também fiscal agropecuário Alexandre Pontes, que estava ocupando o posto de secretário-adjunto de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura.

Vargas vinha sendo alvo de uma grande pressão das empresas do segmento de carnes nos últimos meses, que não raro se queixavam ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi sobre sua postura “inflexível” e pouco eficiente no enfrentamento de diversas crises desde a Operação Carne Fraca, em março de 2017. Dirigentes sindicais e empresários também reclamaram que as respostas do Dipoa às irregularidades que vieram à tona com a operação estavam sendo adotadas numa velocidade abaixo do esperado.

A ação da Polícia Federal revelou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos, e abalou a confiança de importadores de carnes do Brasil. Como efeito, veio o fechamento de mercados como o da Rússia, que até hoje está sem comprar carne suína do Brasil, e o da União Europeia, que em abril embargou 20 plantas de carne de frango.

Procurado, Vargas confirmou sua saída da função, mas não quis comentar as motivações do ministério para exonerá-lo.

Fiscais que estiveram com Vargas nos últimos dias disseram ao Valor que acreditam que o agora ex-diretor foi vítima de desgastes com o setor privado por ter adotado medidas que endureceram a fiscalização de estabelecimentos processadores de carne e que acabaram desagradando aos empresários. Vargas foi o responsável, por exemplo, por verticalizar o processo de inspeção animal, que tirou poder de superintendências regionais da Pasta.

Além disso, a decisão de Vargas de suspender em abril as exportações de frigoríficos brasileiros de frango à UE — após a Operação Trapaça —, antes mesmo de o próprio bloco fazê-lo, também o enfraqueceu.

“Vargas apertou muito o processo de sanidade para as indústrias para dar uma visão de austeridade, e o setor privado atribuiu isso tudo só a ele pessoalmente. Mas tudo que ele fez foi com respaldo do ministro”, disse uma fonte do Ministério da Agricultura.

O secretário de Defesa Agropecuária da Pasta, Luís Eduardo Rangel, descartou possíveis “insatisfações” da indústria e  disse que Vargas promoveu uma “revolução no Dipoa”.

Rangel citou a edição de um novo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de produtos de Origem (Riispoa) e a maior agilidade nos processos de fiscalização. Mas disse que a troca do diretor foi “estratégica” e teve relação com um novo perfil de atuação na área de inspeção animal pretendido pelo ministério.

“Ele era a pessoa certa para fazer as mudanças no sistema de inspeção, mas precisamos agora de uma abordagem muito mais agressiva do ponto comercial e de mais relações internacionais. Foi uma motivação estratégica”, afirmou Rangel.

Procurada, a ABPA, que representa frigoríficos de carnes de frango e suína, informou, por meio de nota, que "reconhece o trabalho realizado por José Luís Eduardo Vargas. A entidade, no entanto, não se manisfetará sobre questões de caráter estritamente administrativo que competem ao governo".

(Valor) (Cristiano Zaia)
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