Domingo, 16 de Dezembro de 2018
Mercado Externo

Com guerra comercial, cotação da carne suína desce a ladeira nos EUA
Chicago e Nova York, EUA, 17 de Julho de 2018 - As guerras comerciais de Donald Trump fizeram a carne suína virar uma pechincha. A produção dos EUA caminha para ser a maior na história neste ano e a previsão para 2019 é de novo aumento. A onda de crescimento na oferta chega em meio às novas tarifas impostas pela China e pelo México sobre o produto, que ameaçam restringir as exportações dos EUA e deixar o país com uma montanha de carne suína barata.

No sábado, ao menos 30 pessoas fizeram uma excursão em Dallas inspirada em comidas com bacon - e atravessaram a cidade experimentando rosquinhas de bacon, sorvete de bacon, geleia de bacon e bacon crocante caramelado.

Embora os preços de varejo do bacon nos últimos 12 meses tenham mostrado tendência de queda, ainda estão mais altos do que há seis anos. Assim, para os entusiastas da carne suína, qualquer recuo é uma notícia bem-vinda.

"É uma experiência que cria quase um elo", afirmou Jeanine Stevens, dona do Dallas Bites! Tours, que leva os participantes a restaurantes e outros estabelecimentos pouco conhecidos. "O bacon é um tipo de comida a respeito da qual as pessoas simplesmente se sentem um tanto entusiasmadas. É uma comida divertida".

Outros americanos podem concordar. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê que o consumo de carne suína nos EUA em 2019 vai subir para 24 quilos por pessoa - está em 23,5 quilos. É o maior consumo per capita desde o início dos anos 1980. O aumento da demanda, contudo, não vai ser suficiente para absorver o da produção, por isso o contrato futuro do suíno vivo está em seu menor patamar desde 2002 para esta época do ano.

Há a previsão de uma "mudança sem precedente" nas exportações mundiais de carne suína no segundo semestre de 2018 e a oferta maior vai pressionar o mercado dos EUA para baixo no resto do ano, segundo analistas do Rabobank, entre os quais Chenjun Pan.

Os fundos hedge mais do que dobraram suas apostas na queda. Um dos motivos pelos quais o aumento na demanda não ajudou tanto nos preços é o fato de o produto concorrendo com os baixos preços do hambúrguer e da carne de frango. A produção total de carnes dos Estados Unidos deverá ser recorde em 2018 e continuar crescendo em 2019, estima o USDA. O contrato à vista de suíno vivo pode chegar a um valor médio de US$ 0,42 por libra-peso em 2019, 7,7% menos que neste ano, segundo projeções do departamento.

"[Para os futuros de suíno vivo], o risco à frente é que tenhamos números enormes de animais chegando e números enormes de carne bovina e de aves", afirmou Don Roose, presidente da firma de administração de investimentos em boi e grãos U.S. Commodities.

Os fundos hedge elevaram sua posição líquida vendida para 8.718 contratos futuros e opções de suíno vivo na semana encerrada em 10 de julho, conforme a Comissão Reguladora de Operações a Futuro com Commodities (CFTC). Esse número, que indica a diferença entre as apostas na valorização e na queda do preço, era de 3.260 da semana anterior. As posições vendidas totais subiram 12% e chegaram ao maior nível desde que os dados começaram a ser contabilizados em 2006. O excesso de oferta de carne não deverá diminuir tão cedo.

As indústrias de carne suína nos EUA vêm abrindo mais fábricas e uma nova deve entrar em operação em 2018, disseram analistas do CoBank em junho. "Com esse aumento na capacidade, é improvável que os produtores diminuam os números de suínos para engorda enquanto os preços estiverem cobrindo os custos variáveis", de acordo com eles.

Ainda assim, o que para carnívoros tem sido boa notícia, para criadores tem sido um problema.

Com as tarifas da China e do México, "40% das exportações totais americanas de carne suína agora sofrem tarifas retaliatórias, ameaçando o meio de vida de milhares de criadores de porcos nos EUA", diz comunicado do Conselho Nacional de Suinocultores, órgão setorial dos EUA. "Agora nos deparamos com uma grande contração e perda financeira em razão da escalada das disputas".

Isso significa problemas, por exemplo, para a Maschhoff Family Foods, uma empresa de criação de suínos em Carlyle, Illinois, que pode ter prejuízo de US$ 100 milhões no ano iniciado em 1º de julho, segundo Ken Maschhoff, presidente do conselho de administração.

Seria um prejuízo anual recorde para a firma, que vende cerca de 5,5 milhões de suínos por ano de suas 550 granjas em nove Estados americanos. Em vez de se expandir dentro do país, a empresa pode investir na produção de suínos na Europa ou na América do Sul se as tensões comerciais continuarem, diz Maschhoff. "Havíamos previsto um ano de 2018 mais ou menos satisfatório, com um 2019 zerado, mas agora os dois anos vão ficar no vermelho para nós".

(Bloomberg) (Megan Durisin e Justina Vasquez )
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 16/12
Sexta-Feira, 14/12
Encontro de Qualidade Industrial recebe patrocínio e palestra da Cobb-Vantress (16:04)
Sindirações projeta crescimento de até 3% para 2019 (14:37)
FRANGO/CEPEA: abate avança no terceiro trimestre (10:15)
OVOS/CEPEA: maior produção impacta negativamente o setor em 2018 (09:59)
Inscrições abertas para os Trabalhos Científicos na 5ª FAVESU (09:57)
Venda de frango a árabes cai, mas pode voltar a crescer (08:11)
Volume de aves e suínos será menor neste ano, aponta a ABPA (08:07)
Produção de ração no Brasil cresce 0,6% e tem novo recorde em 2018 (08:06)
2ª Conbrasul Ovos 2019: Gramado será a capital internacional da avicultura de postura de 16 a 19 de junho (08:04)
Programa técnico do Congresso de Ovos já tem principais temas definidos (08:03)
Quinta-Feira, 13/12
_produção de ovos de galinha é a maior da série histórica (11:04)
Abate de frangos em agosto foi o segundo maior do ano (11:03)
Já começa a faltar crédito rural a juros controlados (09:17)
IBGE confirma avanço em abates de bovinos e suínos, e queda no frango (09:08)
Plasson investe R$ 28 milhões em expansão da unidade fabril, em Criciúma (08:20)
ABRA protocola ofício com solicitação que impacta indústrias produtoras de farinhas de pena, peixe e sangue (08:14)
Indústria de ovos dos EUA: desafios e oportunidades (08:11)
Fundamentos teóricos e aplicação no processamento de ovos e derivados (08:08)
Quarta-Feira, 12/12
Pioneirismo e inovação marcam 10 anos da Yes (10:12)
Exportações de carne bovina deverão bater novos recordes no ano que vem (08:41)
Embrapa fecha acordo com Sindan para pré-análise de novos produtos veterinários (08:40)
Granja do Cedro é destaque de pecuária no prêmio “As melhores da Dinheiro Rural” (08:40)
Safra pode repetir recorde com 238,4 milhões de toneladas (07:57)
Encontro de Avicultores premia os melhores da Integração Aurora/Cocari (07:56)
Assembleia Legislativa de Goiás homenageia dirigentes da Pif Paf Alimentos (07:54)
BRDE assina contratos de R$ 100 milhões com cooperativas paranaenses durante encontro da Ocepar (07:53)
A crescente preocupação com ectoparasitas e os prejuízos econômicos causados por estes (07:50)
Milho: Bolsa de Chicago segue tendência do dia e fecha terça-feira com pouca movimentação (07:50)
Além do enriquecimento de ovos, selênio apresenta benefícios produtivos (07:48)
Aviagen Estreia “I Escola de Incubação” da América Latina (07:25)
Terça-Feira, 11/12
Cresce dependência do agronegócio brasileiro das importações chinesas (08:06)
Milho: cotação da Bolsa de Chicago encerra segunda-feira próxima da estabilidade (08:03)
Soja: Brasil fecha o dia com estabilidade com recuo de Chicago e dos prêmios (08:00)
Mercado do boi gordo apresenta cenários distintos (07:58)
Inaugurado laboratório de referência em Campinas (07:55)