Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Logística

Cargill bate duro na intervenção do governo no frete rodoviário
São Paulo, SP, 26 de Julho de 2018 - “Estamos vivendo algo inédito: o governo brasileiro defendendo a formação de cartéis privados no país. Não tenho palavras para descrever quão absurda é a intromissão governamental e a omissão regulatória em assuntos privados”.

A quarta-feira (25) mal tinha começado e Paulo Sousa, o segundo homem mais poderoso da Cargill no Brasil depois do presidente, já vociferava sua indignação com o tabelamento do frete rodoviário, que tem corroído ainda mais as margens tradicionalmente justas do comércio de grãos. Diretor para Oleaginosas na América do Sul, o tema roubou sua agenda nos últimos dois meses.

O executivo está em vias de ordenar a compra de mil caminhões, na tentativa de dar alguma previsibilidade econômica ao seu negócio. Segundo ele, é até pouco perto do que a Cargill necessita para movimentar as 30 milhões de toneladas de grãos e subprodutos que negocia todos os anos no mercado brasileiro e nas exportações a partir do país.

“É impossível termos caminhões suficientes para gerar tudo, com base no nosso volume e capilaridade. O que vamos fazer, se formos obrigados a ir nessa direção, é colocar nosso próprios caminhões em rotas com previsibilidade e eficiência”, diz. Ou seja, de origem e destino controlados, como o trecho de um de seus armazéns em Mato Grosso para o terminal ferroviário em Rondonópolis. Rotas consideradas ruins, como as em que a carga está em áreas distantes do asfalto ou onde a espera do caminhão por troca de nota fiscal é longa, ficarão com o frete terceirizado.

No mix de alternativas, a Cargill estuda ainda elevar o percentual de grão posto em suas fábricas e portos (em que o produtor é responsável pelo frete), hoje inferior a 5%, e maneiras híbridas de acordo com os vendedores. “No fundo, são maneiras de buscar uma maneira legal que seja compatível com essa aberração que está sendo feita”.

Com receita líquida com vendas e serviços da ordem de R$ 34 bilhões no Brasil e lucro de quase R$ 530 milhões no ano passado, a subsidiária diz que o investimento em frota própria, ainda que pequena, justifica-se já que algumas rotas já trabalham bem próximas da tabela de preços determinada pela ANTT, agência que rege o mercado de transportes terrestres no país. Outras, passaram dos 100%, como nos frete de retorno. Segundo o executivo, as cargas a granel passaram a ter o custo de frete mais alto que o de frigorificados, de maior valor agregado.

Sem citar números — ele se limita a dizer que o impacto do novo frete é “gigantesco” — o recado que Sousa passa é, na verdade, político.

O prazo para a aquisição de caminhões é curto, e falta mão de obra especializada. Mas a data final para implementação das ações ainda não está decidida. A Cargill ainda guarda esperanças de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir, no fim de agosto, sobre a inconstitucionalidade da medida.

Até quando esperariam? O calendário de colheita da soja começa em janeiro. Sousa reluta. “A partir do momento que se esgotarem as alternativas. Na eleição? Alguém que não tenha vínculo com essa confusão toda”, diz, por fim. “A comercialização de safra futura está parada. E quem tem o poder e a confiança, até agora, da população brasileira para fazer a situação voltar ao normal está omisso. Ou com medo: não age de acordo com a expectativa e a sua obrigação”.

“Nós estamos sendo forçados a estudar a entrada em um setor que não está na nossa estratégia de negócio. Não queremos fazer isso. Não seremos os melhores nisso. Nosso negócio não é operar frota rodoviária”, reitera. Ao mesmo tempo, Sousa acredita que, independentemente de qual medida adotarem, será temporária. “Isso não tem como durar. Você já viu alguma tabela dar certo? É inconstitucional, mas o STF tem que dizer”.

Como de costume, tradings como a Cargill, mas também Bunge, ADM, Cofco e Dreyfus, travaram preços ao originar antecipadamente a safra 2018/19. E dois cenários embaralharam o caminho: a guerra comercial de EUA-China, que derrubou a cotação internacional da soja, e o frete pré-fixado, muito mais alto que o planejado.

Segundo Sousa, nem os prêmios à soja brasileira — que já chegaram a US$ 2,50 por bushel — ajudam. A expectativa é de impacto nos resultados financeiros trimestrais das tradings que operam no Brasil.

Nesta semana, o setor decidiu intensificar o contra-ataque ao tabelamento em comunicado assinado por cinco associações: Abiove, Acebra, Anec, Aprosoja e a Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Cargas, a Anut. “O Brasil já teve experiências trágicas com controle de preços e da livre competição pelo governo. Infelizmente, o Executivo e o Legislativo fracassaram em evitar que o país recaísse nessas mesmas práticas”.

Em clara reorientação de posição, a Cargill tem puxado esse coro entre as tradings do país. Fora daqui, porta-vozes do alto escalão da multinacional americana, a maior do agronegócio mundial, têm se manifestado publicamente ante outra dor de cabeça do setor — desta vez, os desatinos comerciais do governo de Donald Trump.

(Valor) (Bettina Barros)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 17/06
2a Conbrasul Ovos destaca transformação global da produção de ovos e desafios do setor na manha desta segunda 17 (13:15)
Valor da Produção Agropecuária de 2019 é de R$ 600,93 bilhões (13:12)
Controle de cascudinhos é tema de palestra no Espírito Santo (11:39)
Preço firme do milho, apesar de safra recorde, testa setor de carnes do Brasil (11:07)
AVES participa de debate sobre a incorporação da Laticínios Veneza a Coopeavi (08:41)
MSD Saúde Animal apoia 2ª Edição do Conbrasul (08:39)
Jinc abre inscrições para a 13ª edição em Concórdia-SC (08:35)
Aviagen América Latina e Pluma Agroavícola Reforçam Compromisso para o Crescimento de Seus Negócios (08:30)
Acordo sanitário com a China deve ser revisado (08:28)
Ministério prevê retomada da venda de carne aos EUA (08:15)
Brasil acionará OMC para contestar barreira da Indonésia a carne de frango (08:13)
Cotações do milho registram maior patamar dos últimos 5 anos na Bolsa de Chicago (08:12)
Soja: Com boas e persistentes chuvas previstas nos EUA, mercado fecha 6ª em alta na CBOT (08:05)
Mais real e apenas com o 'boi China' melhor, mercado do boi renova esperança para esta semana (08:04)
Brasil recorre à OMC contra barreira da Indonésia ao frango brasileiro (07:47)
Sexta-Feira, 14/06
Redução do uso de Antibióticos é tema de palestra promovida pela Vetanco (12:53)
Prevenção contra a PSA (11:11)
É hora de reorganizar os negócios, diz CEO da BRF (06:35)
Frigoríficos já podem retomar exportação de carne bovina à China (06:33)
Consumo de carne suína em baixa na China (06:31)
Mercado do boi 'acordou' mais tarde, reagiu e já mostrou negócios pré crise da vaca louca (06:27)
Mercado do boi gordo está ganhando firmeza (06:25)
Brasil volta a exportar carne bovina para China (06:21)
Governo gaúcho reativa Câmaras Setoriais e Temáticas (06:18)
Conselho do Agro debate reforma tributária (06:17)
Abatedouro de aves é inaugurado no Parque Agroindustrial de Gurupi (GO) (06:15)
Justiça alemã valida morte de milhões de pintos machos na indústria (06:14)
Autoridades brasileiras e argentinas pedem corredor do milho e internacionalização de aeroporto (06:13)
Consumir carne de frango ao invés da bovina já diminui impactos ambientais (06:12)
Em 2040, 60% da carne consumida no mundo não será de origem animal (06:09)
Saldo da balança do agronegócio foi de US$ 8,6 bilhões em maio (06:07)
Mercado do milho fecha a sessão desta 5ª com com forte avanço em Chicago (06:06)
Soja: produtor brasileiro tem momento de melhores patamares em Chicago e prêmios altos (06:03)
Quinta-Feira, 13/06
SP: Preços Agropecuários recuam 1,76% no fechamento do mês de maio (15:05)
Suínos: liquidez aquecida nos mercados interno e externo eleva preços (14:41)
Brasil volta a exportar carne bovina para China (12:11)
Setor de equipamentos participa em peso do SIAVS 2019 (12:09)
IBGE: abate de frangos, no 1º trimestre, recua 2,0% em relação ao mesmo período de 2018 (11:27)
Ovos de galinha: produção cresce 6,0% e tem melhor 1º tri desde 1997, diz IBGE (11:26)
Korin investe em fábrica para ração de frangos (08:23)
Subprodutos fazem milho dos EUA mais competitivo (08:21)
Cooperativas de crédito ganham força (08:19)
Marfrig descarta ter que comprar ações da National Beef (08:15)
Mercado do boi ganha firmeza (08:10)
Previsão de mais chuvas e incerteza sobre produção deixa milho levemente mais valorizado nesta 4ª feira em Chicago (08:05)
Soja sobe quase 20 pts em Chicago nesta 4ª feira (08:00)
Quarta-Feira, 12/06
Aves Hendrix são as campeãs do Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba (15:51)
XIV Simpósio Goiano de Avicultura recebe patrocínio e palestra da Cobb-Vantress (15:48)
Material de proteção gera crédito de Cofins (09:29)
Nova Gerente Técnica de Vendas da BV Science (09:08)
Congresso aprova crédito suplementar que garante recursos para o Plano Safra 2019/2020 (08:59)
Produção de grãos no Brasil deve ser de 238,9 milhões de toneladas (08:58)
Demanda japonesa por carne continua superando a oferta doméstica (08:56)
Forte quebra nos EUA beneficia exportação brasileira de milho (08:46)
Uma fusão das mais complexas (08:45)
Índice da FGV de produção de agroindústrias caiu em abril (08:42)
Terça-Feira, 11/06
Universidade Estadual de Maringá tem 16 cartas-patentes concedidas pelo INPI (08:16)
“China sustenta a agricultura do Brasil", diz Charles Tang (08:08)
Falta de crédito rural com taxas controladas motiva busca por opções (08:06)
Plano de fusão com a Marfrig divide os conselheiros da BRF (08:03)
Boi Gordo: frigoríficos seguem 'tateando' o mercado (07:56)
MT registra vendas de milho "a todo vapor", com negócios para safras atual e futura (07:51)
Milho fecha 2ª feira com cotações misturadas em Chicago (07:50)
Soja fecha com leves altas em Chicago nesta 2ª feira (07:43)
Santa Catarina é o maior exportador de carne de frango do Brasil (07:28)