Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
Política Agrícola

Agronegócio quer de novo presidente modernização do sistema tributário

Olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda.
São Paulo, SP, 09 de Outubro de 2018 - O agronegócio, apesar da importância na economia do país, acaba sendo um dos setores que têm pouca atenção dos presidenciáveis nas propostas de governo. Neste ano, não é diferente.

O segmento, porém, já elegeu seus pontos prioritários para o próximo presidente e promete cobrar. Eles vão da macroeconomia a questões relacionadas a segurança e a sustentabilidade.

As propostas se concentraram em dez pontos. Muitos focam eternos problemas brasileiros que vêm sendo adiados devido ao caixa baixo do governo para investimentos. Outros, devido à força da bancada ruralista, uma das mais fortes de Brasília, poderão ter avanço.

As propostas vieram do Conselho do Agro, que reúne 18 entidades e agregam sugestões não apenas da cadeia agrícola mas também de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio brasileiro.

Um dos pontos de relevância é o macroeconômico, que dá ambiente aos negócios do agronegócio. Além da execução das reformas econômicas, o setor quer uma modernização do sistema tributário e evitar a cobrança de impostos sobre as exportações.

Na avaliação do agronegócio, outra prioridade do novo governo deveria ser uma política agrícola com diretrizes de médio e de longo prazos.

O olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda.

São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, EUA e Aliança do Pacífico.

O Brasil precisa também buscar uma evidência para a qualidade e a imagem do produto brasileiro no exterior.

Entre as propostas estão ainda a adequação da regra do licenciamento à atividade agropecuária. O país deveria ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e uma regulamentação do uso dos biomas.

Outro item fundamental, segundo o setor, é o da segurança jurídica. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

A economia depende cada vez mais das tecnologias, e o agronegócio não é diferente. É preciso superar as barreiras da conectividade no país, item que pode elevar o aumento da produção, do consumo e da exportação.

A logística não poderia faltar nas propostas. A lista de reivindicações passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos setores de transporte e de armazenagem.

Na avaliação das entidades, o país precisa avançar também na defesa sanitária da agropecuária. O ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio.

É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Um dos pontos prioritários no campo é o de elevar o patamar de educação do trabalhador rural. As máquinas vêm, cada vez mais, com muita tecnologia, e a baixa escolaridade dificulta a utilização desses equipamentos.

A edução e a assistência técnica são ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios.

Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar os programas de qualificação profissional, segundo as propostas para o futuro presidente do país.

Tradicional produtor e exportador de grãos e de carnes, o país precisa aprimorar também a agroenergia. Uma das recomendações das entidades do agronegócio é a regulamentação do Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis) no setor de biocombustível.

A consolidação da agroenergia passa, ainda, pela realização da reforma tributária no setor de etanol e pela promoção do crescimento gradual da mistura de biodiesel ao diesel.

Além disso, é necessário, segundo o setor, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia. As diversas fontes de biomassa representam 9% da potência outorgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na matriz energética.

Carnes

A primeira semana das exportações de proteínas teve ritmo fraco em relação a setembro. Houve queda nos volumes das carnes "in natura" de suínos e de bovinos. O de carne de frango ficou estável.

Preços

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que também apontou recuo do preço das carnes em relação aos verificados em outubro do ano passado. A carne suína vale 30% menos.

Atacado

Os produtos agropecuários mantêm pressão na inflação. Os preços médios do setor variaram 2,11% no atacado no mês passado, acumulando 12,2% nos nove primeiros meses do ano, segundo o IGP-DI, da FGV.

Em queda

A soja foi um dos pesos na inflação, com alta de 5,43% no mês passado. Já os preços do leite, com a melhora das pastagens, começa a cair. Açúcar, devido à queda externa, e cana também tiveram retração de preços.

Milho

As exportações do cereal avançam, embora em ritmo menor do que as de 2017. Na primeira semana deste mês, superaram em 15% as de setembro, mas ficaram 13% abaixo das de outubro de 2017.

Soja

O Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) poderá trazer novidade na divulgação de safra desta terça (9), devido ao excesso de chuva. O primeiro contrato da soja está em US$ 8,6975 por bushel em Chicago.

Efeito no bolso

Os produtores foram uma das forças de Jair Bolsonaro na eleição de domingo (7). A opção pelo candidato do PSL, porém, trouxe estragos ao bolso dos agricultores. A soja, carro-chefe da agricultura, caiu R$ 3 por saca nesta segunda-feira (8), reduzindo em R$ 50 o valor da tonelada da commodity. A queda ocorreu devido ao recuo do dólar. Em Sorriso (MT), a saca do produto para entrega imediata recuou para R$ 71.
(Folha de S.Paulo) (Mauro Zafalon)
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