Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2019
Matérias-Primas

Alta de custo vai reduzir margens na safra de soja
São Paulo, SP, 05 de Novembro de 2018 - O aumento de custos deverá pesar mais no bolso dos produtores brasileiros de soja do que o inicialmente esperado nesta safra 2018/19, já que o enfraquecimento do real em relação ao dólar entre junho e agosto, período importante de compra de insumo, encareceu ainda mais sementes, fertilizantes e defensivos.

Entre junho e agosto, a moeda americana subiu cerca de 9% em relação à brasileira e superou R$ 4. Hoje está em torno de R$ 3,70 e não dá sinais de que voltará aos picos recentes, o que reduz a chance de o produtor compensar o câmbio adverso na aquisição dos insumos, grande parte importada, no momento de vender sua colheita. A projeção do Boletim Focus do Banco Central é que o dólar termine o ano no patamar atual. Para 2019, a expectativa é que a moeda fique em torno de R$ 3,80.

O agricultor até poderia ter lucrado nesse embate cambial, já que o dólar chegou perto de R$ 4,20 em setembro e houve estímulo para o avanço das vendas antecipadas da safra que ainda está sendo plantada. Mas as tradings tiveram dificuldades em fixar preços devido à volatilidade financeira que antecedeu as eleições e às incertezas em relação aos fretes rodoviários, e o mercado parou.

“O produtor terá que sacrificar margens que, muito provavelmente, serão menores que as previstas inicialmente”, afirma Enilson Nogueira, analista da Céleres. A receita operacional média esperada pela consultoria para a soja em 2018/19 até agora está estimada em R$ 3.628 por hectare, considerando um dólar médio de R$ 3,79 ao longo do ciclo. Com os aumentos de insumos e fretes, a margem operacional média do sojicultor está prevista em R$ 1.191 por hectare, uma redução de quase 27% sobre 2017/18 (R$ 1.628).

Segundo Matheus Almeida, analista do Rabobank, os gasto dos produtores de soja com fertilizantes foram entre 15% e 35% nesta temporada, enquanto a alta dos defensivos foi de cerca de 20%. No caso dos defensivos, também influenciou a escalada a menor disponibilidade de matéria-prima na China, onde centenas de fábricas foram fechadas por questões ambientais. Segundo dados do governo chinês, a produção de pesticidas no país caiu em torno de 30% em 2017.

Conforme Henrique Mazotini, presidente da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), algumas moléculas para a formulação de defensivos aumentaram até 30%. “O produtor mudou o ‘combo’ de insumos para tentar diminuir o impacto desse aumento”, comenta Almeida, do Rabobank. Mas segundo Rogério César, representante técnico da FMC na região de Cascavel (PR), essa mudança não provocou alívio significativo.

Nesse contexto, os sojicultores continuam a apostar nos reflexos positivos das disputas comerciais entre Estados Unidos e China sobre os prêmios pagos pelo grão brasileiro nos portos para inflar seus ganhos. Na quinta-feira, contudo, emergiram novas especulações de que poderá haver um armistício, o que motivou a alta das cotações na bolsa de Chicago e valorizou o produto americano. “A guerra manteve a rentabilidade da safra 2017/18 muito alta”, lembra Nogueira, a Céleres. “Mas [independentemente do desfecho das disputas], a demanda chinesa pela soja brasileira deverá continuar aquecida em 2018/19”.

Ainda assim, a tendência é que os prêmios caiam a medida em que a colheita americana continuar a entrar no mercado. Em Paranaguá (PR), o prêmio pago pela soja com entrega em novembro estava na semana passada em US$ 2,20 sobre o valor do bushel negociado na bolsa de Chicago. Para o grão com entrega em março, já eram US$ 0,90.

“A tendência é que os prêmios caírem. Estamos no limite. Mas ainda vão se manter altos”, diz Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. Para Nogueira, da Céleres, embora a tendência seja de rentabilidade consideravelmente menor em 2018/19 em relação à temporada 2017/18, o produtor ainda poderá respirar aliviado. “O sinal amarelo começa a acender mesmo com o dólar abaixo dos R$ 3,50”.

Ainda resta boa parte da safra 2018/19 a ser comercializada e muita volatilidade cambial pode ocorrer. De acordo com a Safras, a venda antecipada da safra 2018/19 de soja do Brasil está em 27,3% de uma produção projetada em 121,1 milhões — abaixo da média histórica para o período, que é de 30,2%.

(Valor) (Kauanna Navarro )
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Quarta-Feira, 16/01
Terça-Feira, 15/01
FRANGO/PERSPEC 2019: após ano difícil, cenário sinaliza recuperação para 2019 (11:27)
OVOS/PERSPEC 2019: excesso de produção pode limitar ganho; produtores devem ter cautela em 2019 (11:25)
SUÍNOS/PERSPEC 2019: exportação e custo menor podem garantir ano mais positivo (11:23)
BOI/PERSPEC 2019: após exportação recorde em 2018, setor aposta em demanda interna em 2019 (11:21)
Foto de ovo tem o maior número de “curtidas” do mundo (07:39)
Redes de fast-food não se comprometem com bem-estar de frangos, diz ONG (07:38)
eSocial: o que o empregador PF precisa saber sobre CAEPF (07:37)
Baixa demanda por carne bovina mantém mercado do boi com pouca movimentação (07:20)
Importações chinesas de soja recuaram 8% em 2018 (07:18)
Soja testa leves altas em Chicago nesta 3ª feira corrigindo as últimas baixas (07:17)
Segunda-Feira, 14/01
Cooperativa Lar apresenta planos de desenvolvimento para 2019 (12:49)
MILHO/CEPEA: preços apresentam comportamento distinto dentre as regiões (10:33)
SOJA/CEPEA: desvalorização do dólar frente ao real pressiona cotações internas (10:31)
Empresas de proteína animal buscam aproximação com pasta da Agricultura (08:30)
Mesmo com Carne Fraca, Brasil lidera vendas à UE (08:18)
Empreitada da BRF na Argentina deixa R$ 1,2 bi em perdas (08:10)
Oferta maior que a demanda no mercado de ovos (08:06)
Boi Gordo: escalas de abate confortáveis, mas pressão de baixa não é generalizada (08:03)
Para evitar risco de desabastecimento, China deve triplicar compras de milho (08:01)
Soja recua em Chicago nesta 2ª feira realizando lucros e refletindo menores importações da China (08:00)
Sexta-Feira, 11/01
FRANGO/CEPEA: poder de compra segue pressionado neste início de 2019 (09:22)
OVOS/CEPEA: preços iniciam 2019 em queda (09:20)
Cooperativas engajadas no desenvolvimento catarinense (08:00)
BRF conclui venda de ativos na Argentina e arrecada R$ 560 milhões (07:45)
Boi Gordo: recuo na demanda reflete em desvalorização da arroba (07:42)
Milho: Bolsa de Chicago encerra quinta-feira com quedas de 5 pontos (07:32)
Soja fecha com baixas de dois dígitos em Chicago nesta 5ª feira (07:30)
Quinta-Feira, 10/01
C.Vale inicia calendário de eventos promovendo mais uma edição de seu tradicional dia de campo (11:39)
SUÍNOS/CEPEA: embarques de carne suína voltam a recuar em dezembro (09:31)
BOI/CEPEA: 40% das exportações brasileiras são destinadas para Hong Kong e China (09:30)
Conab divulga novo estudo da safra de grãos e estima que produção será de 237,3 milhões de toneladas (09:28)
China pode comandar mercado mundial de aves (08:18)
Financiamento da produção aumentou 14% em relação ao semestre anterior (08:16)
Milho: preços em alta na Bolsa de Chicago (08:05)
Soja: novas altas em Chicago (08:00)
Mercado do boi sem viés definido (07:50)
Parceria com empresa alemã pode tornar Toledo (PR) referência em biogás (07:36)
Saiba como usar a tecnologia no Agro a seu favor (07:35)
Nestlé lança seu primeiro hambúrguer sem carne (07:31)
Criadores de Rondônia compram mais de 1,5 mil toneladas de milho (07:30)
Cooperativa Languiru apresenta projeto de expansão da avicultura (01:38)
Hambúrguer vegano "que sangra" agora tem versão sem glúten e com 240 calorias (01:32)
Uso de xilanase para melhoria da funcionalidade de fibras nos monogástricos é defendida pela AB Vista (01:30)