Domingo, 16 de Junho de 2019
Ciência e Tecnologia

Carne de laboratório está cada vez mais perto do mercado consumidor
Brasília , 07 de Janeiro de 2019 - A carne de laboratório, produzida com células de gado, está cada vez mais próxima do mercado consumidor. Empresas sediadas em Israel e nos Estados Unidos já apresentaram produtos alimentícios cultivados a partir de células derivadas de gado. Resta saber como reagirão os consumidores quando eles passarem a ser comercializados, daqui alguns anos, e se os preços serão competitivos no longo prazo, uma vez que, num primeiro momento, o custo de produção é elevado.
Segundo a agência alemã DW, em dezembro de 2018, a empresa Aleph Farms, com sede em Israel, apresentou ao mundo o primeiro bife criado em laboratório. Ao produzir o fino pedaço de carne, assinala a DW, a empresa superou um dos maiores desafios enfrentados por essa jovem indústria: o cultivo em laboratório de um produto cárneo que integre os tecidos muscular e adiposo.
“A carne é um tecido complexo, não apenas um aglomerado de células”, disse Didier Toubia, cofundador e diretor executivo da Aleph Farms. “São vários tipos de células interagindo entre si para formar uma estrutura tridimensional muito específica.”
Ainda de acordo com a DW, nos EUA, alguns meses antes, a Food and Drug Administration e o Departamento de Agricultura anunciaram que “supervisionariam conjuntamente a produção de produtos alimentícios cultivados a partir de células derivadas de gado e aves” – um sinal de que a comercialização dessas carnes pode não estar muito distante.
“Mas qual é a possibilidade realista de que a humanidade vá substituir as proteínas animais diárias por carne cultivada em placas de Petri?”, indaga a reportagem da DW. A carne in vitro, acrescenta a agência, vem sendo pesquisada há anos, desde que a Nasa começou a estudar o cultivo de frutos do mar e carnes no início dos anos 2000.
A primeira produção bem-sucedida, porém, foi um hambúrguer feito num laboratório da Universidade de Maastricht a partir de células-tronco extraídas do pescoço de uma vaca. Ser o primeiro a cultivar carne sintética não saiu barato: o hambúrguer custou mais de 300 mil dólares.
Por sua vez, o bifinho da Aleph Farms custa 50 dólares para ser produzido. Atualmente, pelo menos seis empresas estão trabalhando numa variedade de carnes “cultivadas”, desde salsicha de porco a foie gras e nuggets de frango.
Benjamina Bollag, diretora executiva e cofundadora de uma dessas empresas, a Higher Steaks, prevê que em 2019 a maioria das firmas que trabalham nesse espaço focarão no aperfeiçoamento de seus produtos e na redução dos preços.
“Acho que realmente veremos mais gente se direcionando para a pequena escala e talvez mirando um restaurante com que trabalhar”, comentou à DW. “Ou veremos os primeiros requerimentos de regulamentação nos diversos países.”
Meio ambiente
Com perspectivas de um aumento de 70% do consumo global de carne, nas próximas três décadas, e de uma população do planeta de 9,6 bilhões em 2050, as carnes cultivadas em laboratório poderiam ajudar a compensar os custos ambientais.
A pecuária responde por 14,5% de todas as emissões de gases de efeito estufa ligadas à atividade humana, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A carne bovina representa o maior emissor desse setor, que também ocupa a maioria das terras agrícolas, tanto para o pastoreio como para as culturas a serem usadas como ração.
Embora o cultivo de carne em laboratório consuma muita energia, um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta quinta-feira (3) sugere que “à medida que os processos de produção amadurecem e a produção aumenta, alavancando o fornecimento de energia renovável e delimitando a produção nas cidades”, os benefícios ambientais da carne cultivada em laboratório podem ser significativamente intensificados.
No entanto, não é unânime a noção de que a carne in vitro vá realmente reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Carolyn Mattick, bolsista de Política de Ciência e Tecnologia da Associação Americana para o Avanço da Ciência, ressalta a grande incerteza em torno dos impactos ambientais dos processos de fabricação atuais e futuros.
“Até que sejam realizadas análises de ciclo de vida de alta qualidade, revisadas pela comunidade científica, sobre práticas de produção específicas, realmente não podemos quantificar os impactos ambientais de produtos à base de células ou compará-los com o da criação de animais.”
Uma das grandes promessas da proteína animal in vitro é a redução do número de casos de doenças como salmonela, Escherichia coli e síndrome vaca louca. Quando a carne é cultivada em laboratório, o risco de contaminação bacteriana é reduzido extremamente, ou até completamente.
A carne à base de células tampouco exigiria o uso de antibióticos e hormônios de que os produtores industriais de gado atualmente dependem. “Acreditamos que seja uma coisa realmente importante”, aponta Toubia. “Essas são vantagens de que não se fala.”
Além desses benefícios concretos à saúde, as empresas podem ajustar certos fatores da carne, como o teor geral de sal ou a proporção de gordura saturada e insaturada.
“O aspecto que de fato mais depende do que o consumidor quer, é fazer carne mais saudável”, diz Benjamina Bollag. “Então substituindo a gordura, acrescentando diferentes vitaminas, pode-se adicionar muitas coisas. É possível substituir as gorduras saturadas por ômega 3.”
De acordo com Toubia, a textura realista e o cheiro do bife da Aleph Farms são promissores para o futuro da carne cultivada em laboratório. Neste ano, a companhia planeja trabalhar no aumento do tamanho dos cortes, melhorando um pouco o sabor e reduzindo custos.
“Ainda temos pelo menos dois anos de desenvolvimento até chegarmos a um produto comercial, e depois provavelmente mais dois para transferi-lo à produção e ampliá-lo até as quantidades maiores necessárias à atividade comercial”, enumera o diretor da Aleph Farms.
Só aí o produto estaria pronto para as prateleiras dos supermercados. Portanto, embora as perspectivas de ver peito de frango e almôndegas de laboratório na mercearia local possam ser atraentes, é ainda cedo demais para programar o próximo churrasco in vitro.
(Agro Em Dia) (Assessoria de Imprensa)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Domingo, 16/06
Sexta-Feira, 14/06
Redução do uso de Antibióticos é tema de palestra promovida pela Vetanco (12:53)
Prevenção contra a PSA (11:11)
É hora de reorganizar os negócios, diz CEO da BRF (06:35)
Frigoríficos já podem retomar exportação de carne bovina à China (06:33)
Consumo de carne suína em baixa na China (06:31)
Mercado do boi 'acordou' mais tarde, reagiu e já mostrou negócios pré crise da vaca louca (06:27)
Mercado do boi gordo está ganhando firmeza (06:25)
Brasil volta a exportar carne bovina para China (06:21)
Governo gaúcho reativa Câmaras Setoriais e Temáticas (06:18)
Conselho do Agro debate reforma tributária (06:17)
Abatedouro de aves é inaugurado no Parque Agroindustrial de Gurupi (GO) (06:15)
Justiça alemã valida morte de milhões de pintos machos na indústria (06:14)
Autoridades brasileiras e argentinas pedem corredor do milho e internacionalização de aeroporto (06:13)
Consumir carne de frango ao invés da bovina já diminui impactos ambientais (06:12)
Em 2040, 60% da carne consumida no mundo não será de origem animal (06:09)
Saldo da balança do agronegócio foi de US$ 8,6 bilhões em maio (06:07)
Mercado do milho fecha a sessão desta 5ª com com forte avanço em Chicago (06:06)
Soja: produtor brasileiro tem momento de melhores patamares em Chicago e prêmios altos (06:03)
Quinta-Feira, 13/06
SP: Preços Agropecuários recuam 1,76% no fechamento do mês de maio (15:05)
Suínos: liquidez aquecida nos mercados interno e externo eleva preços (14:41)
Brasil volta a exportar carne bovina para China (12:11)
Setor de equipamentos participa em peso do SIAVS 2019 (12:09)
IBGE: abate de frangos, no 1º trimestre, recua 2,0% em relação ao mesmo período de 2018 (11:27)
Ovos de galinha: produção cresce 6,0% e tem melhor 1º tri desde 1997, diz IBGE (11:26)
Korin investe em fábrica para ração de frangos (08:23)
Subprodutos fazem milho dos EUA mais competitivo (08:21)
Cooperativas de crédito ganham força (08:19)
Marfrig descarta ter que comprar ações da National Beef (08:15)
Mercado do boi ganha firmeza (08:10)
Previsão de mais chuvas e incerteza sobre produção deixa milho levemente mais valorizado nesta 4ª feira em Chicago (08:05)
Soja sobe quase 20 pts em Chicago nesta 4ª feira (08:00)
Quarta-Feira, 12/06
Aves Hendrix são as campeãs do Concurso de Qualidade de Ovos Capixaba (15:51)
XIV Simpósio Goiano de Avicultura recebe patrocínio e palestra da Cobb-Vantress (15:48)
Material de proteção gera crédito de Cofins (09:29)
Nova Gerente Técnica de Vendas da BV Science (09:08)
Congresso aprova crédito suplementar que garante recursos para o Plano Safra 2019/2020 (08:59)
Produção de grãos no Brasil deve ser de 238,9 milhões de toneladas (08:58)
Demanda japonesa por carne continua superando a oferta doméstica (08:56)
Forte quebra nos EUA beneficia exportação brasileira de milho (08:46)
Uma fusão das mais complexas (08:45)
Índice da FGV de produção de agroindústrias caiu em abril (08:42)
Terça-Feira, 11/06
Universidade Estadual de Maringá tem 16 cartas-patentes concedidas pelo INPI (08:16)
“China sustenta a agricultura do Brasil", diz Charles Tang (08:08)
Falta de crédito rural com taxas controladas motiva busca por opções (08:06)
Plano de fusão com a Marfrig divide os conselheiros da BRF (08:03)
Boi Gordo: frigoríficos seguem 'tateando' o mercado (07:56)
MT registra vendas de milho "a todo vapor", com negócios para safras atual e futura (07:51)
Milho fecha 2ª feira com cotações misturadas em Chicago (07:50)
Soja fecha com leves altas em Chicago nesta 2ª feira (07:43)
Santa Catarina é o maior exportador de carne de frango do Brasil (07:28)