Sábado, 16 de Fevereiro de 2019
Empresas

Valor de mercado total de JBS, Marfrig e BRF já subiu R$ 8,9 bi este ano
São Paulo, SP, 08 de Fevereiro de 2019 - No que depende dos frigoríficos brasileiros, os investidores não têm do que se queixar neste início de 2019. Impulsionado pela JBS, a maior indústria de proteínas animais do mundo, o valor de mercado das empresas de carnes que compõem o Ibovespa - grupo que também inclui Marfrig e BRF - aumentou R$ 8,9 bilhões desde o fim de 2018. Juntas, as três empresas valem atualmente R$ 61,7 bilhões, o que significa um crescimento de 16,9% ante os R$ 52,8 bilhões do fim de dezembro.

A trajetória positiva não está descolada do ambiente geral, mas as valorizações de JBS e Marfrig são bastante superiores à do Ibovespa. Embalado pela agenda reformista do governo Bolsonaro, o Ibovespa registrou alta de 6,2% no ano até ontem. Os papéis de JBS e Marfrig, por sua vez, subiram 23,6% e 10,4%, respectivamente. As ações da BRF subiram menos (5,8%), mas por causa do tombo de ontem, motivado pela frustração dos investidores com os resultados de seu plano de venda de ativos

O valor de mercado da JBS, cujas ações sobem 46,3% nos últimos 12 meses, chegou a R$ 39,1 bilhões, o da Marfrig atingiu R$ 3,7 bilhões e o da BRF alcançou R$ 18,8 bilhões.

Em geral, as valorizações também teriam sido mais intensas não fosse o banho de água fria de quarta-feira, quando o Ibovespa teve o pior pregão desde a greve de caminhoneiros, caindo mais de 3% em meio aos receios com a forma escolhida pelo governo para encaminhar a reforma da Previdência. A desconfiança também contaminou as ações dos frigoríficos, reduzindo a magnitude da valorização no ano - até terça-feira, a JBS acumulava alta de quase 30% desde dezembro.

De qualquer maneira, a valorização da ações de JBS, Marfrig e BRF foi significativa. De acordo com analistas consultados pelo Valor, a recuperação dos papéis das três empresas reflete a melhora no ciclo de produção de carne de frango no Brasil - dona de Sadia e Perdigão, a BRF é líder nas exportações mundiais dessa proteína - e o excepcional momento para a indústria americana de carne bovina. As margens dos frigoríficos nos Estados Unidos, que em tempos normais ficavam em torno dos 4%, estão mais perto dos 10%.

Nesse caso, a maior beneficiada é a JBS, que disputa a liderança do mercado americano de carne bovina com Tyson Foods e Cargill. Com a compra da National Beef em 2018, a Marfrig também passou a participar da festa americana. O negócio deu à empresa fundada por Marcos Molina o controle do quarto maior frigorífico de carne bovina dos EUA e, de quebra, fez dela a segunda maior empresa do segmento no mundo, atrás apenas da JBS.

A exposição à economia americana tem sido o grande diferencial para os investidores de JBS e Marfrig, ressaltou um analista de um banco brasileiro. "É um momento operacional positivo", avaliou.

Há também em curso um processo de construção de confiança e reputação - palavras que dificilmente caracterizaram o segmento desde 2007, quando JBS e Marfrig abriram o capital. Mas o fato é que, por diferentes fatores, as empresas agora agradam mais.

Nesse sentido, o caso da JBS é emblemático. A empresa dos irmãos Batista cada vez mais deixa no passado as manchetes policiais. Após a delação premiada de Joesley e Wesley, a JBS vendeu ativos, renegociou dívidas com bancos no Brasil, profissionalizou a gestão e, agora, voltou a preparar o terreno para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de suas operações internacionais nos Estados Unidos.

No mês passado, Guilherme Cavalcanti, ex-diretor financeiro da Fibria, assumiu a área financeira e de relações com os investidores da JBS com a missão de fazer a abertura de capital na bolsa de Nova York (Nyse). "O IPO tem sido uma das grandes metas da JBS", ressaltou o analista Leandro Fontanesi, do Bradesco BBI.

A avaliação é que o IPO vai disparar um gatilho, puxando as ações da JBS. Listada nos EUA, a companhia pode ter acesso a recursos mais baratos e fazer valer sua diversificação na comparação com concorrentes como Tyson e Smithfield.

Em relatório divulgado na terça-feira, a agência de classificação de risco Fitch apontou a JBS como a mais diversificada empresa de proteínas animais do mundo, tanto em termos geográficos - a empresa está na América do Norte, Europa, América do Sul e Oceania - como em tipos de proteína (bovinos, frango e suínos). "[A diversificação ajuda a mitigar riscos relacionados a doenças e restrições comerciais", disse Johnny Da Silva, diretor da Fitch, em nota. Não à toa, a Tyson, ainda muito concentrada nos Estados Unidos, vem buscando aquisições no continente asiático. O faturamento anual da JBS nas exportações é de US$ 14 bilhões, três vezes mais que o da Tyson, apontou a agência de classificação de risco.

Mas, embora o momento seja favorável aos investidores de frigoríficos, o setor não está livre de riscos. "Nessa área, as bombas aparecem do nada", disse o analista de um banco, lembrando de casos que vão desde a delação premiada dos Batista até embargos comerciais.

Entre as empresas de carnes, a BRF é a mais exposta. A companhia brasileira, que vem sofrendo seguidos golpes desde a Operação Carne Fraca, está no meio de um processo de reestruturação. Além da venda de ativos, que frustrou expectativas, a BRF terá como desafio recuperar a rentabilidade, o que deve demorar.

"O problema não é a dívida, mas o Ebitda. Eles precisariam de um Ebitda de R$ 4 bilhões para isso", afirmou um analista. É mais realista pensar em um Ebitda de R$ 3 bilhões, o que colocaria a alavancagem mais próxima de 4 vezes. Em 30 de setembro de 2018, o índice estava em 6,7 vezes.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sábado, 16/02
Sexta-Feira, 15/02
Frango: Cepea aponta que poder de compra vem registrando mais um mês de queda (09:32)
Ovos: preços de fevereiro são os maiores desde junho/2018, destaca Cepea (09:30)
China anuncia tarifas de até 32,4% ao frango brasileiro por 5 anos (08:21)
Para cobrir rombo, Estados elevam tributação sobre agronegócio (08:11)
Suíno Vivo: altas em SP, PR, MG e GO (08:08)
Boi Gordo: mercado em ritmo lento (08:06)
Boi Gordo: volume de animais abatidos no BR se eleva em 2018 (08:05)
Milho: mercado estável (08:04)
Soja: preços registram alta (08:00)
MSD Saúde Animal patrocina Congresso de Ovos e debate complexo respiratório em espaço empresarial (07:43)
Quinta-Feira, 14/02
Mercado será foco dos debates na abertura do Simpósio Brasil Sul de Avicultura (13:52)
2ª Conbrasul Ovos abre período de inscrições online (13:38)
Indústria de alimentos prevê avanço de até 4% (09:34)
Etanol de milho avança (09:32)
Nova regra incentiva emissão de letras de crédito do agronegócio (08:50)
Pilgrim’s Pride registra prejuízo de US$ 8,2 milhões no 4º trimestre (08:40)
Recall da BRF expõe falha e transparência (08:38)
IOB segue sua campanha em São Paulo (08:26)
Vetanco homenageia Cooperitaipu (08:22)
Suíno Vivo: estabilidade nas cotações (08:16)
Boi: em SP, preço da arroba está estável (08:12)
Milho: estabilidade domina o dia (08:05)
Preços da soja sobem no Brasil nesta 4ª feira (08:00)
Quarta-Feira, 13/02
VAXXITEK® já imunizou 100 bilhões de aves contra Marek e Gumboro (11:53)
Santa Catarina começa o ano com alta nas exportações de carnes (11:23)
Por salmonela, BRF faz recall de lotes de frango no Brasil e exterior (08:22)
Exportações do agronegócio sobem 6% em 12 meses e somam US$ 102,14 bilhões (08:07)
Suíno Vivo: alta de 5,12% em SC (08:05)
Boi gordo: oferta restrita dificulta a compra pelos frigoríficos (08:03)
Mercado Interno do milho permanece estável (08:00)
Brasil proíbe uso de antibióticos promotores de crescimento (07:51)
Clima adverso faz Conab e IBGE reduzirem projeções para safra (07:50)
SP: produção de grãos deve superar sete milhões de toneladas (07:49)
Terça-Feira, 12/02
IBGE: Cai o abate de frangos, sobe o de bovinos e suínos (10:51)
Prêmio Lamas de pesquisa avícola está com inscrições abertas (08:22)
NUCLEOVET faz evento de lançamento dos Simpósios 2019 em Chapecó (08:20)
Suíno Vivo: alta de 2,94% no PR (08:09)
Mercado do boi gordo retoma fôlego (08:06)
Mercado interno do milho apresenta pouca movimentação (08:04)
Produção de soja poderá ser a menor em três anos (08:02)
Preços da soja no Brasil apresentam poucas mudanças (08:00)
Por que ainda não sou vegetariano (07:57)
Após suspensão, exportadores de frango do Brasil vão a Riad (07:56)
No centro de inovação da BRF, um olhar sobre o futuro da embalagem (07:55)