Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
Exportação

Peste na China eleva e valoriza exportação de carne suína do Brasil
São Paulo, SP, 12 de Março de 2019 - O surto de peste suína africana na China deixou de ser apenas um fator de especulação sobre o comércio mundial de carnes. O Ano Novo Chinês, em fevereiro, marcou um ponto de inflexão no humor - e nas vendas, é claro - da indústria de carne suína do Brasil. A expectativa de executivos do segmento é que os embarques do produto para o país asiático ganhem envergadura nos próximos meses.

"Houve uma mudança total de demanda e preço. É o momento de o país compensar as perdas dos últimos anos", afirmou ao Valor um alto executivo de uma das principais agroindústrias processadoras de suínos do país. De fato, o resultado setorial do ano passado foi desastroso devido à sobreoferta de carne suína no país - em grande parte provocada pelo embargo da Rússia - e dos preços altos da ração animal. A margem bruta da produção de carne suína no sistema de integração ficou negativa em 14%, de acordo com a consultoria MB Agro.

De acordo com um executivo de um grande exportador, o preço do pernil suíno vendido pelo Brasil à China passou de US$ 2 mil por tonelada, no ano passado, para US$ 3 mil nos contratos fechados recentemente, com embarque nos portos brasileiros a partir de abril.

Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), porém, ainda não é possível confirmar um forte aumento do volume comercializado, mas apenas dos preços (ver arte acima). Na visão do analista César Castro Alves, da MB Agro, o primeiro impacto do surto de peste suína na China, que começou em agosto, foi negativo para os preços. Os produtores locais correram para liquidar o plantel ainda saudável, o que elevou a oferta de carne suína momentaneamente.

Nas últimas semanas, porém, os sinais de redução da oferta chinesa são cada vez maiores, o que casa com a mudança de humor na indústria de carne suína do Brasil. Na bolsa de Chicago, os contratos futuros de suíno magro subiram mais de 16% nos últimos 11 pregões, de acordo com a agência Dow Jones Newswires. Corroborando o cenário, o Ministério da Agricultura da China informou no mês passado que a oferta de carne suína no país caiu 12,6% em janeiro, na comparação anual. Nesse cenário, algumas indústrias de ração na China vêm reportando queda de mais de 20% nas vendas, conforme relatos da agência Agricensus.

Na avaliação do vice-presidente de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, os chineses caminham para cumprir um papel que, há poucos anos, seria improvável. Pequim deve substituir a Rússia não só em importância no volume de vendas, mas também em preços, o que é fundamental para a recuperação da rentabilidade do segmento, que ainda está negativa em 6%, conforme o indicador da MB Agro.

Até 2017, os russos respondiam por cerca de 40% do volume de carne suína exportada pelo Brasil e 50% da receita cambial. No setor, a dependência da Rússia - um país de comércio instável, dado a rompantes protecionistas -, sempre foi vista como uma grande fragilidade da suinocultura do país.

Conforme Santin, a crise gerada pelo embargo da Rússia à carne suína brasileira - Moscou proibiu a importação do produto nacional em dezembro de 2017 - já vinha sendo amenizada pela demanda chinesa, que estava aquecida mesmo antes do surto de peste suína africana. Mas os preços estavam mais baixos.

Com o agravamento da peste suína no país asiático, o preço médio da carne suína exportada para a China está se aproximando do preço pago pela Rússia - Moscou retirou o embargo ao produto brasileiro no fim do ano passado. De acordo com dados compilados pela ABPA, o preço médio da carne suína exportada para a China passou de US$ 1.726 por tonelada, em setembro do ano passado, para US$ 2.053 por tonelada em dezembro. Trata-se de uma alta de quase 20%.

O movimento de valorização deve continuar. Segundo o dirigente da ABPA, novos contratos de exportação para a China estão sendo fechados a valores próximos de US$ 2,5 mil por tonelada, enquanto as vendas aos russos saem por cerca de US$ 2,6 mil por tonelada. Esses valores devem aparecer nas estatísticas no segundo trimestre, quando os embarques forem realizados pelos nove abatedouros que estão autorizados a vender à China.

Com firme demanda, a China assumiu, pela primeira vez, a liderança do ranking dos maiores compradores da carne suína do Brasil. No primeiro bimestre, as exportações diretas de carne suína do Brasil para a China somaram 20,5 mil toneladas, segundo dados preliminares compilados pala ABPA. Hong Kong foi o segundo maior destino, com 20 mil toneladas. A Rússia ficou na terceira posição, comprando 11 mil toneladas no período, de acordo com Santin.

O impacto positivo não beneficia só frigoríficos de carne suína. Conforme a ABPA, a China se tornou, pela primeira vez, o principal destino das exportações de carne de frango do Brasil. O país desbancou em fevereiro a Arábia Saudita, que vem tomando medidas para proteger a indústria local e, no fim de janeiro, suspendeu a importação de diversos abatedouros de frango do Brasil.

(Valor) (Luiz Henrique Mendes)
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Segunda-Feira, 16/09
Como criar galinha virou negócio de R$ 1 milhão – só pra começar (07:04)
As dores de crescimento da escala necessária para alimentar o Planeta (07:02)
Safra do milho deve crescer pelo segundo ano consecutivo no RS (07:01)
China exclui soja e carne suína dos EUA de tarifas adicionais, diz Xinhua (07:00)
Avicultura de corte destaca-se no VBP agropecuário do Paraná (06:59)
Venda de carne para a China sobe a régua da balança comercial de Mato Grosso (06:58)
Sexta-Feira, 13/09
Milho: Chicago registra leves valorizações para as cotações nesta sexta-feira (13:52)
Exportações do agronegócio caíram 11% em agosto, para US$ 8,3 bi (09:04)
Frango: aumenta diferença entre preços interno e externo (08:28)
Suíno Vivo: três estados registraram alta nesta quinta-feira (08:18)
Mercado do boi gordo segue sustentado (08:10)
Milho: cotações sobem cerca de 2% em Chicago (08:07)
Soja sobe quase 30 pontos em Chicago nesta 5ª feira (08:00)
Quinta-Feira, 12/09
Indicadores da Pecuária crescem em relação ao 2º trimestre de 2018 (14:09)
Suínos: demanda aumenta e eleva preços do vivo e da carne (13:56)
Boi: preços da carcaça seguem em alta (13:55)
No 2º trimestre, abate de frangos cresceu 3,4% em relação ao mesmo trimestre de 2018 (13:54)
Ovos de Galinha: no segundo trimestre, o recorde de produção da série (13:53)
Pif Paf Alimentos conquista habilitação para exportar para a China (11:58)
Aviagen promove seminários técnicos para cliente IP-CMI na América Central (09:29)
Brasil busca diversificar pauta de exportações ao Oriente Médio (07:11)
China corre para desenvolver uma vacina contra peste suína (07:06)
Estudo confirma alta do escoamento de grãos pelo Norte (07:05)
Frango Vivo: Atacado tem queda de 1,15% nesta quarta-feira (07:00)
Suíno Vivo: Santa Catarina e São Paulo têm alta nesta quarta (06:59)
Mercado do milho fecha a sessão desta 4ª feira com ligeiras perdas na CBOT (06:56)
Soja fecha em queda em Chicago nesta 4ª e ajuda a pressionar cotações no Brasil (06:52)
Quarta-Feira, 11/09
POLINUTRI® reuniu equipe e clientes durante SIAVS (13:34)
V Workshop Internacional de Ambiência de Precisão será realizado em Campinas, SP (13:12)
Milho puxa mais uma colheita recorde de grãos (10:11)
FPA discute gestão compartilhada de energia no campo (10:10)
Frango Vivo: cotações ficam estáveis nesta terça-feira (08:06)
Preços agropecuários: alta de 0,83% no fechamento do mês de agosto (07:14)
Suíno Vivo: São Paulo tem alta de 0,92% (07:05)
China abre mercado para farelo de soja argentino (07:03)
Milho: cotações encerram a sessão desta 3ª feira com ganhos na Bolsa de Chicago (07:02)
Soja fecha a terça-feira com mais de 14 pts de alta em Chicago (06:59)
Ministra inicia viaja ao Oriente Médio para ampliar relações comerciais (06:12)
Cooperativa LAR comemora 20 anos de avicultura (06:12)
Produção animal: adaptações ao aquecimento global da suinocultura (06:12)
Exportações de carne seguem em alta nos Portos do Paraná (06:12)
Terça-Feira, 10/09
Indonésia quer negociar com Santa Catarina (23:29)
Ruralistas tentam emplacar venda de terra a estrangeiro (10:56)
Mais 25 frigoríficos do Brasil recebem o sinal verde da China (10:48)
Brasil inicia negociações de livre comércio com México (10:47)
Milho: demanda incerta (09:15)
Soja: nem pra lá, nem pra cá (09:03)
Aviagen inaugura seu 9º e maior incubatório nos EUA (08:55)
Preços do boi gordo em alta em Dourados-MS (08:40)
Ações de Marfrig e Minerva sobem (08:15)
Frango Vivo: Santa Catarina tem queda de 5,62% nesta segunda (08:12)
Suíno Vivo: PR, RS e SP têm alta nesta segunda-feira (08:11)
Soja opera em alta em Chicago nesta 3ª com apoio no milho e à espera do novo USDA (08:00)
Milho: cotações encerram a segunda-feira com leves baixas em Chicago (07:47)