Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
Exportação

Balança comercial do agronegócio deste ano não repete o recorde de 2018

Exportações poderão ficar pelos menos US$ 8 bilhões abaixo dos US$ 102 bi do ano passado
São Paulo, SP, 24 de Maio de 2019 - As receitas externas do agronegócio vão impulsionar menos a economia
brasileira neste ano. As exportações perdem força e vão render menos do que no ano passado.

Os preços externos de commodities estão em queda. No ano passado, as
exportações totais do setor foram recordes, somando US$ 102 bilhões. Neste
ano, deverão ser pelo menos US$ 8 bilhões inferiores.
A principal queda nas exportações vem do complexo soja, o líder nas
exportações brasileiras.

Após ter registrado um patamar recorde em 2018, quando as receitas em
dólares atingiram US$ 41 bilhões, as exportações do setor podem recua para
US$ 33 bilhões neste ano. Volume e preço menores vão determinar a queda.
Em 2018, por causa da guerra comercial dos Estados Unidos com a China
e da quebra de safra na Argentina, o Brasil elevou para um patamar recorde o volume exportado para os chineses.

As carnes, outro item de importância para a balança comercial,
poderá ter comportamento inverso ao da soja.

A China também determinará o desempenho do setor. O efeito da peste
suína africana no país asiático é tão grande que a produção de carne suína poderá cair 30%.
Com isso, a China vai elevar as importações de proteínas, abrindo espaço
para os produtos brasileiros.
As exportações deste ano poderão superar em pelo menos US$ 1 bilhão o
patamar de US$ 14,7 bilhões de 2018.

O terceiro principal item da balança comercial do agronegócio, os produtos
florestais, também não terá o mesmo bom desenvolvimento de 2018.
As exportações devem recuar para US$ 13 bilhões, em razão da redução de
preços da celulose.

Quanto às exportações de madeiras, elas vão depender do ritmo das
economias dos Estados Unidos, do Canadá e da China, grandes importadores
do Brasil.

As exportações de açúcar, que em 2018 já tiveram desempenho bem inferior
ao de 2017, voltam a recuar neste ano.
As vendas externas se manterão em volume, mas as receitas, por causa dos
preços externos menores, deverão cair próximo de 5%. Em 2018 somaram
US$ 6,5 bilhões.

Café e suco também perdem espaço na balança deste ano. Em ambos os
casos os preços internacionais estão em queda. As exportações de café crescem em volume, mas as receitas poderão ficar abaixo dos US$ 5 bilhões
do ano passado.
As exportações de suco de laranja, em razão da demanda externa menor pela
commodity nos últimos anos, ficarão abaixo dos US$ 2 bilhões do ano
passado.

Milho e algodão melhoraram suas posições. O país terá mais milho para
exportar, por causa da grande produção deste ano. O cereal do Brasil vai
concorrer, no entanto, com o da Argentina, país que terá safra recorde.
O comportamento da taxa de câmbio será decisivo para o produto brasileiro.
Nos patamares atuais dará boa competitividade ao cereal.
No caso do algodão, o volume exportado cresce, e as receitas
deverão superar os US$ 2 bilhões do ano passado.
(Folha de São Paulo) (Mauro Zafalon)
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