Sábado, 24 de Agosto de 2019
Mercado Externo

Quem ganhará com a peste suína?
São Paulo, SP, 29 de Julho de 2019 - A ideia de que crises e oportunidades andam juntas é tão batida que já virou lenda e caiu no senso comum. E embora a dupla seja associada a um ideograma chinês, na crise da peste suína africana que abateu o gigante asiático há oportunidades de sobra apenas além das fronteiras.

Estudo do Itaú BBA denominado "Por trás do apocalipse" traça um panorama de quais empresas podem se beneficiar com os efeitos da peste suína africana, que se disseminou pela China em meio a um contexto macroeconômico complexo, marcado pela quebra da safra americana e pela guerra comercial entre Pequim e Washington.



Segundo Antônio Barreto, analista de agronegócio do Itaú BBA, a magnitude do "apocalipse" dependerá de quanto a China irá aumentar as importações de proteína animal. No cenário base traçado pelo banco, a mortalidade do plantel suíno do gigante asiático chegará a 25% em 2020. No melhor cenário para os frigoríficos, a 50%.

Neste ano, os chineses já ampliaram as compras. Em maio, as importações totais de carne suína pela China bateram recorde, somando 187 mil toneladas. A expectativa do Itaú BBA é que, no cenário base, as importações dos chineses tenham um incremento de 28% até 2020, para 240 mil toneladas mensais. Mas, se a situação piorar de vez para os chineses, o Brasil e outros fornecedores podem comemorar um aumento de até 87% nas compras do país, que ganham espaço para alcançar 350 mil toneladas mensais, segundo o banco.

No topo da preferência chinesa, a carne suína será a mais demandada em qualquer cenário, seguida pela carne de frango e a bovina. Assim, Barreto avalia que a BRF é a empresa brasileira que mais se beneficiará. "A empresa vinha de um ano muito ruim, mas é a que mais se beneficia porque tem um negócio verticalizado, com frangos e porcos próprios", disse ele. Tendo isso em vista, o Itaú BBA recomendou, pela primeira vez em quatro anos, a compra de ações da BRF.

Ainda assim, a JBS segue sendo a preferida do Itaú BBA no setor. "A JBS gerou caixa no ano passado e apresenta melhor relação entre risco e retorno, além de ter um portfólio mais diversificado nos Estados Unidos", afirmou.

Nos Estados Unidos, a empresa controla a Pilgrim's Pride, segunda maior produtora de carne de frango do país. Pelas projeções do Itaú BBA, no cenário em que a mortalidade do plantel suíno da China chegue a 25%, o fluxo de caixa livre da JBS deve ser robusto, ajudando a reduzir o endividamento da companhia em 50%, segundo as estimativas do banco.

No relatório, o Itaú também avaliou o impacto da peste suína - bem como da guerra comercial e da quebra de safra americana - para outras empresas do agronegócio listadas na bolsa. No caso da SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e fibras do país, o panorama é menos promissor.

Segundo o analista do Itaú BBA, a empresa terá de lidar com os baixos preços da soja no curto prazo, que sofrem pressão dos estoques abundantes no mundo, e também com o cenário para o algodão, que não é menos "terrível". "Uma desaceleração na economia global pode provocar uma queda nos preços do petróleo e pressionar ainda mais o algodão, que concorre com as fibras sintéticas", acrescentou.

No médio prazo, no entanto, a SLC ainda pode tirar proveito da profissionalização da criação de porcos na China. Isso deve ocorrer quando o país superar o surto de peste suína. A doença, que se espalhou rapidamente por todas as províncias do país, foi facilitada, segundo analistas, pela produção de fundo de quintal. Em muitas regiões, o plantel é alimentado com restos de comida, o que contribuiu para a contaminação. No futuro, as granjas profissionais demandarão mais milho e soja para ração.

(Valor) (Marina Salles)
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