Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
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Soja: com vendas de mais de 3 mi de t nas últimas duas semanas, preços seguem fortes
Campinas, SP, 16 de Agosto de 2019 - O Brasil teve mais um dia de bons negócios no mercado da soja nesta quinta-feira (15) mesmo diante das baixas intensas registradas pelos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago e da correção do dólar. Os prêmios forte, acima dos 120 pontos sobre as cotações da CBOT e com a demanda intensa pelo produto brasileiro. Somente hoje foram mais de 300 mil toneladas, mas entre a semana passada e esta, o Brasil já vendeu mais de 3 milhões de toneladas.

Os preços nos portos do país ainda variam, para a safra velha, entre R$ 85,50 e R$ 86,50 por saca, com alguns vendedores buscando até os R$ 87,00 nas posições ligeiramente mais distantes como final de setembro e início de outubro.

"Temendo que não haja oferta mais adiante e evitando depender dos EUA, porque sabem que a guerra comercial ainda vai longe, os compradores estão entrando forte no mercado brasileiro para garantir sua soja. Estão fixando em reais e fazendo suas posições", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

Ainda de acordo com o executivo, o Brasil teria cerca de apenas 3 milhões de toneladas de soja que ainda poderiam ser comprometidas com a exportação, um volume bastante ajustado diante de uma demanda tão aquecida. "Poderemos ter um problema de abastecimento e, talvez, até que importar alguma coisa no final do ano", diz.

E o produtor brasileiro está aproveitando o momento e as oportunidades, fazendo bons negócios neste cenário. Somente esta semana, segundo números levantados pelo SIMConsult, a China comprou 20 navios de soja do Brasil, mostrando que sua demanda está de fato concentrada por aqui.

Ao mesmo tempo, o boletim semanal de vendas para exportação divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe novos "cancelamentos" por parte da China, mostrando que de fato eles estão evitando o mercado norte-americano.

O saldo da semana para a temporada 2018/19 foi de 109,9 mil toneladas canceladas. Mais conhecido como um movimento chamado de 'washout', tais cancelamentos podem ser rolagens de posições somente.

E esses dois movimentos combinados também ajudaram a pressionar as cotações na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira. O mercado internacional encerrou o pregão com perdas de pouco mais de 7 pontos nos principais contratos, com o novembro sendo cotado a US$ 8,70 por bushel, enquanto o março/20 foi a US$ 8,97.

"Essa agitação no mercado brasileiro, muitos negócios, bom fluxo e os poucos negócios acontecendo nos Estados Unidos foram fatores de pressão sobre Chicago neste pregão. O mercado observa isso também", explica o consultor da Brandalizze Consulting.

DÓLAR

Nesta quinta-feira, o dólar caiu forte e registrou, segundo a Reuters, sua baixa mais intensa em um mês com o anúncio do Banco Central de vendas de reservas. A divisa perdeu 1,24%, para fechar em R$ 3,9903.

"O dólar registrou nesta quinta-feira a maior queda diária em um mês, caindo abaixo da marca de 4 reais, com investidores ajustando o preço do câmbio diante da perspectiva de injeção direta de liquidez dentro do novo modelo de atuação do Banco Central (...)

A moeda norte-americana já começou o pregão em baixa e chegou a anular a queda em dois momentos, mas na parte da tarde firmou alívio conforme os mercados externos melhoraram o sinal, a despeito da persistente incerteza sobre a economia global por causa do embate tarifário entre China e Estados Unidos", noticiou a agência.
(Notícias Agrícolas) (Carla Mendes)
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