Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
Produção

Como criar galinha virou negócio de R$ 1 milhão – só pra começar
Curitiba (PR), 16 de Setembro de 2019 - A avicultura é um setor em franco crescimento no Brasil. Com uma boa perspectiva de aumento do consumo interno e das exportações de carne de frango, o momento é propício para investir. Entretanto, entrar nesse mercado – dominado pelas cooperativas e pelas grandes empresas – não sai barato. Para se ter um aviário moderno e eficiente, como o mercado exige, é preciso ser um “milionário” – ou pelo menos ter a garantia de um empréstimo desse porte. O setor demanda um gasto alto com a estrutura dos aviários, cada vez mais modernos e com tecnologias de automação.

Tanto investimento visa garantir o melhor resultado na produção, para abastecer um mercado bastante aquecido. A perspectiva é que o consumo de frango no Brasil aumente, já que se trata de uma das carnes mais baratas para o consumidor. “Este ano foi um ano bom para o frango, pois temos disponibilidade de milho para ração, que não está caro [o cereal, juntamente com o farelo de soja, representa 70% dos custos de produção]. E a economia do país também está começando a reagir”, afirma Ariel Antônio Mendes, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mercado externo, o frango deve voar ainda mais alto. A ABPA estima um crescimento de 5% nas exportações da ave para este ano. Segundo Mendes, a gripe suína africana está derrubando os plantéis de suínos na China, o que deve impulsionar as importações de carne brasileiras, incluindo o frango. “Não haverá carne suína suficiente para abastecer os chineses, o que vai puxar a carne frango também. E o frango não tem restrição religiosa. O nosso maior importador hoje é o Oriente Médio [por motivos religiosos os muçulmanos não consomem carne suína] e a carne de frango hoje é vista ainda como uma carne de fácil preparo e saudável.”

Nesta semana, o Ministério da Agricultura anunciou a habilitação de 6 novas plantas brasileiras para exportação de frango ao mercado chinês. Com isso, sobem para 43 as unidades produtoras habilitadas a exportar para a China. Entre janeiro e agosto, o país asiático importou 348,2 mil toneladas de frango (volume 19% superior ao registrado no mesmo período do ano passado), segundo a ABPA. Além disso, o Brasil é o principal fornecedor de frango para o mercado halal (carne que obedece aos preceitos da lei islâmica para o abate de animais). Somente a Arábia Saudita importa 450 mil toneladas/ano de carne de frango halal brasileira.

Frango grande ou pequeno?

A produção brasileira se concentra basicamente em dois tipos de frangos: o griller, que é uma ave menor com peso de carcaça de 900 gramas a 1,4 kg, e que pode ser abatido em 30 dias, e os frangos maiores e mais pesados, de 3 kg, com abate em 45 dias. A tendência hoje, segundo Mendes, é se construir galpões para 30 mil a 32 mil aves, dependendo do tipo de frango. Os aviários mais modernos, conhecidos como dark houses (galpões escuros), são climatizados, com controle de temperatura, luminosidade, ventilação e exaustão. “Com uma ambiência controlada você tem um melhor desempenho do frango. Ninguém mais constrói galpões abertos”, afirma o diretor da ABPA.

De acordo com Eduardo Leffer, gerente de Fomento Avícola da Coopavel, cooperativa com sede em Cascavel (PR), o investimento na construção de aviários tende a ser menor para quem já atua no setor e quer ampliar a produção. “Quem tem aviários já tem a área cercada, rede elétrica e gerador de energia. Se for fazer mais um aviário, ele vai sair por uns R$ 840 mil. Agora, para começar do zero o custo certamente sobe para mais de R$ 1 milhão.”

Segundo Leffer, cada empresa ou cooperativa monta uma planilha dos custos com os valores de investimento e as taxas de retorno conforme a sua realidade e a da região em que atua para remunerar os seus produtores integrados. No caso do investimento feito na estrutura de um novo aviário, com um padrão moderno de construção, a estrutura se paga em 11 anos. “Depois disso é só fazer a manutenção”, complementa.

Atualmente, a avicultura de corte no Brasil funciona no modelo de integração, pois a produção independente de aves é quase proibitiva, por causa dos altos custos dos insumos, segundo Franke Hobold, diretor geral da Plasson do Brasil, empresa catarinense especializada na construção de aviários. “O custo do transporte para a avicultura é muito elevado, por isso o aviário integrado precisa estar a, no máximo, 150 quilômetros do abatedouro, porque a empresa ou cooperativa precisa mandar os pintinhos, a ração e depois trazer o frango para o abate”, explica.

Além das estruturas para armazenar o plantel de aves, a propriedade precisa estar regularizada e licenciada ambientalmente. Segundo Hobold, hoje em dia ninguém constrói apenas 1 galpão, só quem já tem estrutura funcionando e quer aumentar. Fora isso, o investimento é para 2 ou 4 galpões. Isso ajuda a otimizar os custos na propriedade. As dimensões dessas estruturas costumam ter entre 16 e 18 metros de largura por 150 a 170 metros de comprimento. São aviários totalmente automatizados, de grande porte. Se for incluído na conta os custos de terraplanagem da área, o gasto passa de R$ 1,1 milhão.

Saída é o financiamento

Como nem todo mundo tem R$ 1 milhão no bolso ou na mão para investir de imediato, a saída para a maioria dos produtores é buscar uma linha de financiamento do Plano Safra. “Embora os juros ainda estejam altos [em torno de 8%], essa ainda é a melhor opção”, atesta Hobold. Ele explica que há, por exemplo, a modalidade Moderagro, voltada para quem quer entrar na avicultura começando do zero, com tempo de carência de até 3 anos, e a Inovagro, destinada a quem já é do ramo e precisa ampliar as suas instalações.

De acordo com o empresário, a construção consome 60% do investimento da granja, gastos com a estrutura metálica e telhas isotérmicas do aviário. Os outros 40% são referentes aos equipamentos como comedouro, bebedouro, sistema de climatização, painéis para refrigeração, aquecedor para os pintinhos, sistemas de iluminação com lâmpadas de LED e controladores que permitem acionar os sistemas via iPhone. “Hoje, se compararmos com o passado, um casal sozinho consegue cuidar de quatro aviários, pois eles contam com sistemas de alarme, geradores de energia para o caso de faltar luz e automatização”, observa. Entretanto, no interior do país ainda há muitos aviários antigos, que demandam mais trabalho.

O número de produtores de orgânicos é quase três vezes maior do que em 2012. Em relação à criação de galinhas para a produção de ovos, o investimento nos aviários pode ser até maior, segundo o diretor geral da Plasson. “Na postura você tem que trabalhar em cima da cria e recria, produção e ver, por exemplo, se vai alojar as aves em gaiolas, que é o mais comum, ou se vai na linha que é uma tendência hoje de mercado, de criar as galinhas soltas. Isso gera um custo maior também”, observa Hobold.

De acordo com a ABPA, a produção de ovos no Brasil deve avançar 10% neste ano. Em 2018, 44,4 bilhões de unidades foram produzidas. Para 2019, a projeção é concluir o ano com 49 bilhões de unidades. As exportações devem alcançar 12 mil toneladas – 3% acima do desempenho do ano passado."
(Gazeta do Povo ) (João Rodrigo Maroni )
Imprimir esta notícia...
|
Deixe aqui sua opinião, insira seus comentários.
O espaço também é seu!

Sexta-Feira, 13/12
Quinta-Feira, 12/12
Coopavel: 32 perguntas e respostas sobre o 32º Show Rural (17:07)
Produção de ovos bateu novo recorde no 3º trimestre de 2019, aponta IBGE (11:16)
IBGE: abate de frangos cresceu 3,0% em relação ao trimestre anterior (11:15)
Avicultura: Verão 2020 com alimentação nutritiva e saudável (11:11)
‘Nova’ CPR promete injetar bilhões no campo (10:05)
Quarta-Feira, 11/12
Termina nesta semana, dia 13/12, prazo para entrega de trabalhos científicos para o Congresso de Ovos da Apa (14:30)
Boi Gordo: mercado físico mostra resistência em trabalhar em valores menores (13:08)
Milho segue caindo em Chicago, mas perspectiva é de retomada nos próximos dias (12:42)
Soja corrige preços nesta 4ª feira na Bolsa de Chicago (12:30)
ABPA lança site da campanha #BrLivredePSA (11:00)
China impulsiona embarques recorde de frigoríficos (09:37)
STF encerra disputa sobre cesta básica (09:35)
Kemin anuncia investimentos em Transformação Digital (08:49)
Protegendo a qualidade da carne de frango (08:44)
Avicultura 4.0 – Um novo horizonte no processo avícola (08:39)
Exportações do agronegócio são recordes, mas faturamento externo cai (08:34)
Desafios do Brasil na defesa sanitária animal (08:32)
Frango: cotações estagnadas nesta terça-feira (08:20)
Suínos: mercado aquecido nesta terça-feira (08:10)
Reino Unido registra caso de gripe aviária pela 1ª vez desde 2017 (08:10)
Boi gordo caiu 6,7% em São Paulo em dezembro (08:09)
Para evitar o tombo, o mercado boi do busca equilíbrio (08:06)
Exportações de carne bovina devem fechar 2019 com resultado recorde (08:05)
Milho encera 3ªfeira em campo misto na Bolsa de Chicago (08:04)
Soja fecha com leve alta nesta 3ª feira em Chicago (08:00)
Safra de grãos de 2020 será recorde e deverá chegar a 240,9 milhões de toneladas (07:50)
Terça-Feira, 10/12
Ovos RS: Ano VII apresenta balanço das atividades e prestação de contas 2019 (11:25)
Boi Gordo impulsiona IPPA/CEPEA em novembro (10:41)
Boi: Mercado físico esteve praticamente vazio de negócios em SP (09:55)
Safra 2020 deve bater recorde de 240,9 milhões de toneladas (09:54)
Milho: Chicago inicia a terça-feira com estabilidade após leve avanço na colheita (09:32)
Frango: mercado misto, mas com expectativa de atividade até o fim da quinzena (08:22)
Suínos: segunda-feira registra mercado aquecido, principalmente SP (08:19)
Soja: mercado fecha com boas altas em Chicago nesta 2ª e favorece preços nos portos do BR (07:57)
Soja em Chicago segue em alta com notícias de compras chinesas nos EUA e recuo do dólar (07:56)
Exportação de milho do Brasil já supera 40 mi t no acumulado do ano (07:55)
Cotações do milho fecham a sessão desta 2ª feira com leves baixas em Chicago (07:50)
Contratações de crédito rural da Safra 2019/2020 somam R$ 93,5 bilhões (07:45)
Segunda-Feira, 09/12
Ovos: média parcial de dezembro supera a do período da Quaresma (11:20)
Milho: preços seguem em alta, mas intensidade varia dentre regiões (11:19)
Soja: melhora do clima beneficia lavouras e preços recuam (11:18)
Preço do frango no atacado subiu 25,3% frente a 2018 (09:58)
Milho: Contratos futuros iniciam a semana operando em campo misto na Bolsa de Chicago (09:50)
Dália inaugura complexo avícola na próxima sexta-feira (09:49)
Agroindústrias catarinenses retomam investimentos que devem chegar a R$ 2 bilhões até 2020 (08:58)
Em Minas, Governador participa de anúncio de R$ 50 mi em investimentos na avicultura de postura (08:56)
JBS segregará ativos de bovinos do Brasil em reestruturação (08:54)
Importação de soja da China salta em novembro (08:40)
China anuncia plano para restaurar produção de suínos em 2021 (08:24)
Frango: sexta-feira foi marcada por mercado misto (07:55)
Arroba do boi em SP fecha em alta após quatro quedas (07:53)
Exportação de carne suína catarinense bate recorde histórico (07:51)
Suínos: mercado estável, com perspectiva de aquecimento com as festas de fim de ano (07:50)
Mapa identifica recuo no preço da carne bovina na primeira semana de dezembro (07:47)
Boi: preços não sobem indefinidamente (07:45)
Milho acumula queda de 1,35% na última semana em Chicago (07:25)
Soja em Chicago sobe mais de 1% na semana (07:23)