Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2018
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Preço desagrada e comercialização da safra patina
São Paulo, SP, 22 de Janeiro de 2018 - As vendas dos grãos da safra atual, a 2017/18, caminham em ritmo mais lento que no ciclo passado, que já foi marcado por negociações travadas. Mais uma vez a razão são preços considerados baixos na bolsa de Chicago. E, de acordo com analistas, até o segundo semestre as negociações devem continuar numa toada semelhante, já que a previsão é de preços estáveis para soja e de queda para o milho.

Enquanto o preço da soja não reage, a tendência é que o produtor continue retraído. Segundo o pesquisador do Cepea, Lucilio Alves, os estoques mundiais ainda estão muito altos. "Os contratos apontam estabilidade nos preços durante todo o primeiro semestre, e só um problema com as safras pode mudar o quadro", disse.

Reflexo desse cenário, a venda antecipada de soja em Mato Grosso, maior Estado produtor do país, mostra atraso de 12,9 pontos percentuais ante a média das últimas cinco safras, com 13 milhões de toneladas do ciclo 2017/18 comercializadas, conforme o Imea.

Segundo Victor Ikeda, analista do Rabobank, há expectativa de algum suporte ao preço no segundo semestre, com uma possível redução da safra americana no ciclo 2018/19. Os números de comercialização da safra brasileira do ciclo 2017/18 do Rabobank apontam vendas em 30% da produção estimada, aquém da média histórica de 43% para o período.

Na avaliação do sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, a cotação em Chicago pode chegar aos US$ 10 o bushel no segundo semestre. No pregão de sexta-feira, os contratos para março fecharam a US$ 9,7725 o bushel.

Mais otimista, Vitor Minella, da Meneghetti Corretora de Cereais, de Campo Verde (MT) crê que a produção de soja do ciclo 2017/18 no país, estimada em 110,4 milhões de toneladas pela Conab, será insuficiente para atender a demanda externa crescente, o que deve sustentar o preço. O Rabobank, porém, projeta embarques de 67 milhões de toneladas este ano, 1,3 milhão a menos que o recorde de 2017.

Para o milho, não há perspectiva de que os preços subam em Chicago, uma vez que a oferta global é abundante. Além disso, mesmo com as possíveis reduções de área e de produtividade na safrinha do ciclo 2017/18 no Brasil, ainda há estoques da safra passada.

Para a Agroconsult, dificilmente o milho subirá acima dos US$ 4 o bushel neste ano. Na sexta-feira, o contrato com entrega em julho (momento em que a safrinha entra no mercado) encerrou o pregão de Chicago em US$ 3,69 o bushel.

Segundo o Imea, foram fechados até agora contratos para comercialização de 5 milhões de toneladas de milho da safrinha 2017/18, cujo plantio está se iniciando. No mesmo período de 2017, a venda antecipada chegava a 7,8 milhões de toneladas.
(Valor Econômico) (Kauanna Navarro)
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