O produtor Amauri Pinto Costa, da fazenda Bom Retiro, em Itanhandú, MG, era para ser um mineiro no meio dos paulistas. Ou melhor, seria assim, se o público do Congresso de Produção e Comercialização de Ovos da Associação Paulista de Avicultura (APA) fosse composto apenas por produtores estaduais. No entanto, a devido sua importância dentro da postura comercial, a coordenação do evento fez questão de discutir temas abrangentes e inerentes ao cenário nacional, como um todo, na programação.  O que refletiu na variedade do público presente.


Grandes produtores de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Goiás e Bahia marcaram presença na ocasião. O produtor mineiro foi convidado a integrar a comissão organizadora do Congresso exatamente para manter a amplitude dos debates, a troca de experiências e de companheirismo dentre várias unidades federativas. 


Em todas as edições, a APA escolhe uma liderança com atuação fora de São Paulo para ajudar na escolha do temário. Dessa forma, além de apresentar um conteúdo completo, a entidade encontra uma forma de homenagear o estado representado. Essa é uma via também de reafirmar os compromissos com a cadeia, enfatizar o valor do agronegócio para o Brasil e compartilhar experiências que ajudem nas superações das dificuldades enfrentadas. “Produzir ovos é algo difícil e complicado de fazer e requer constante aprimoramento”, enfatizou Érico Pozzer, Presidente da APA durante cerimônia de abertura do Congresso. “É uma atividade de suma importância, além de fixar o homem no campo, é responsável por empregar cerca de 50 mil pessoas com carteira assinada e além colocar uma comida de excelente qualidade na mesa dos brasileiros”. Em tom de crítica, Érico completou sua fala: “A cadeia tem que reconhecer seu valor e conseguir resultados ainda mais fantásticos. Precisamos melhorar a comercialização, manter boas margens e promover o consumo”. O dirigente também chamou a atenção para importância da manutenção do status sanitário. “Granja não é lugar de visitas”, ressalta.


As autoridades seguintes seguiram a mesma linha em seus pronunciamentos. Ricardo Santin, vice-presidente de aves da ABPA e Presidente do Conselho Diretor do Instituto Ovos Brasil, citou algumas ações pontuais para aprimoramento da cadeia de postura, como melhorar o preço e produzir com planejamento. “Fechamos 2014 com 96 milhões de poedeiras alojadas, o que é um número muito alto. Precisamos trabalhar com informação para melhorar as margens de lucro e confiar nas entidades representativas para nos guiar. Temos que lembrar que 2015 vai ser um ano difícil e por isso não se pode brincar com alojamento”. Para Santin, o consumo de ovos deve cair cerca de 10%. Para isso, será necessário apertar o orçamento e focar na união da cadeia. “E cuidar da sanidade”, conclui.


Roberto Betancourt, Presidente do Sindirações, arrancou aplausos da palestra com a seguinte frase: “O que o Brasil gasta com sanidade é muito pouco e isso nos coloca em risco”. Ele citou alguns pontos  para melhorar o status sanitário nacional como abrir concurso para preencher os cargos da Defesa Sanitária e investir na malha de laboratórios estaduais, tomando como referência o Laboratório de Patologia Avícola em Descalvado, SP. Não apenas críticas fizeram parte do pronunciamento do dirigente. Betancourt também aproveitou a oportunidade para tecer elogios às lideranças técnicas que estão monitorando os planteis e que mantém a produção segura.


Gabaritada, articulada e preocupada. São os três adjetivos para a plateia presente nas palestras. Apesar do cenário pessimista, o público mostrou força para aprender como forma de superar as adversidades. Todos os debates foram ricos, inflamados e cheios de perguntas. Confira mais sobre as palestras assim como os ganhadores dos trabalhos científicos premiados nos links acima. Também não deixe de olhar a nossa galeria de foto!

Primeiro dia 17/03/2015

Segundo dia 18/03/2015

Terceiro dia – 19/03/2015

Trabalhos científicos premiados