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Brasil amplia liderança no ranking mundial de superávits agrícolas




Genebra, Suíça, 30/11/2020

O Brasil se consolidou nos últimos 25 anos como o maior exportador líquido (diferença entre exportações e importações) de produtos agropecuários do mundo, apesar do persistente protecionismo e de crescentes barreiras sanitárias e fitossanitárias no comércio global de alimentos. É o que confirma um levantamento recém-concluído pela Organização Mundial do Comércio (OMC), que reforça as perspectivas de que essa tendência, que se tornou mais aguda a partir do ano 2000, ainda deverá se aprofundar.

O secretariado da OMC preparou o estudo para o aniversário dos 25 anos do acordo agrícola costurado pela entidade, e o Brasil é, certamente, um de seus pontos de destaque. Se já era o maior exportador mundial de commodities como açúcar, café e suco de laranja em 1995, nas décadas seguintes o país assumiu a liderança também nos embarques de soja, o produto agrícola mais comercializado no mercado internacional, e se firmou como um dos maiores do planeta também em milho, algodão e carnes.

Entre 1995 e 2019, as exportações globais de produtos agrícolas mais que triplicaram, de US$ 286 bilhões para US$ 1,051 trilhão. E os principais concorrentes brasileiros perderam fatias de mercado, enquanto as participações do país aumentaram. A América do Norte, que dominava quase 30% das exportações agrícolas mundiais em 1995, viu o percentual recuar para 22% em 2019. Os Estados Unidos, que eram os maiores exportadores mundiais, com 22,2% do total em 1995, caíram para o segundo lugar, com participação de 13,8%.

No ranking das exportações, a liderança passou a ser da União Europeia (16,1%), mas graças à colaboração dos 28 países do bloco, e o Brasil, assumiu de vez o terceiro lugar (7,8%). Com a arrancada brasileira e o avanço de países como a Argentina, a participação das Américas do Sul e Central nas exportações agrícolas totais aumentou de 14,5% para 17,6% de 1995 a 2019.

A China, por sua vez, tornou-se o maior país importador de produtos agropecuários do mundo, com compras que triplicaram entre 1995 e 2019. A segunda maior economia do mundo importou 12,7% dos produtos agrícolas comercializados no exterior em 2019, ante 3,6% 25 anos antes. Mas os maiores importadores agrícolas são os EUA, com 13,6%.

No tabuleiro dos maiores “exportadores líquidos” do setor, no entanto, o Brasil se firmou com um indiscutível campeão, com os embarques superando as importações em US$ 71,5 bilhões em 2019. A UE ficou num longínquo segundo lugar no ano passado, com US$ 35,2 bilhões. E grande parte desse saldo positivo brasileiro se deve às vendas para os chineses, que em 1995 eram exportadores líquidos e se transformaram nos maiores importadores.

Boa parte dessa simbiose sino-brasileira tem relação com a soja. O grão foi o produto agrícola mais importado do planeta em 2019, com fatia de 5,5% na receita total. Em 1995, a oleaginosa ocupava apenas a sexta posição e o café liderava a lista, com 5,3% do total. Agora o café é apenas o 11º produto mais comprado no comércio agrícola global.

Em 1995, o Brasil era o segundo maior exportador de soja, com 10,6% do total, atrás dos EUA, que tinham 74,9%. A situação se inverteu em 2019, quando a participação do Brasil chegou a 51,7% e a dos EUA caiu para 37,1%. Ao mesmo tempo, a China, que importou apenas 1% da soja comercializada no planeta em 1995, comprou 62,3% do total em 2019, e desbancou com folga a UE, cuja fatia caiu de 52,8% para 9,7%.

Nas exportações de carnes, a participação brasileira cresceu 4,8% para 17,8% e ficou atrás apenas da dos EUA (20,5%). O Japão continua a ser o maior importador nesse mercado, com 14,5%, e a China ocupa a terceira posição, com 8,1%.

Também no comércio mundial de algodão o Brasil avançou. O país sequer estava entre os dez maiores exportadores em 1995. Mas em 2019 apareceu na segunda posição, com 17,8% dos embarques totais, atrás apenas dos EUA (42%) e à frente da Índia (7,6%). A China, sem surpresa, lidera as importações, com 26,5%.

O trabalho da OMC realça, ainda, que no ano passado os preços globais dos alimentos ficaram 24% acima do patamar observado em 1995. Na média, houve crescimento de 0,9% ao ano. Em 2015, cerca de 61% do conteúdo do valor agregado nas exportações agrícolas tiveram origem no próprio setor agrícola, e 39% vieram de outras indústrias ao longo das cadeias de produção.


Fonte: Valor Econômico
Autor: Assis Moreira




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