Desempenho do ovo em maio e nos cinco primeiros meses de 2021

Enquanto em outros tempos caracterizou-se como o segundo melhor momento do ano – devido à comemoração do Dia das Mães – em 2021 o mês de maio foi absolutamente frustrante para o ovo. De um lado porque, ao contrário do observado normalmente, o mercado não apresentou qualquer reação àquela que é a ocasião de concentração da comercialização do produto – o instante em que, com o salário do mês, o consumidor vai às compras (e que, em maio, coincide com o “boom” de consumo do Dia das Mães). De outro lado, porque maio foi encerrado com valor inferior não apenas ao de abertura do mês, mas dos últimos quatro meses.

Em outras palavras, em maio não ocorreu aquele movimento de reativação de preços típico de todo início de mês: a cotação máxima registrada no período foi a mesma vinda da última semana de abril (então já decrescente), permanecendo inalterada durante todo o decêndio inicial do mês. A partir daí só ocorreram retrocessos, prevalecendo novo período de estabilidade (mas em mercado extremamente fraco) nos últimos 10 dias do mês.

Pelo parâmetro adotado pelo Avisite (carga fechada de ovos extra brancos, comercializada no Grande Atacado da cidade de São Paulo), o valor de fechamento de maio não era registrado desde o início de fevereiro passado. Então, em apenas duas semanas ocorreu valorização de 20% e, mal iniciada a Quaresma (17 de fevereiro), o ovo alcançava sua melhor cotação de 2021. Mas até isso durou pouco: quatro dias. A partir daí, excetuada breve valorização nos primeiros dias de abril, o retrocesso foi praticamente contínuo. Ontem (31), a cotação média registrada ficou quase 20% abaixo do pico de fevereiro.

O efeito desse desempenho é melhor visualizado no gráfico abaixo, à esquerda: embora tenham ficado quase 11,5% acima do que foi alcançado em maio de 2020, os preços médios do mês passado retrocederam mais de 7% em relação a abril, o que significa que corresponderam ao menor valor dos últimos quatro meses.

Por outro lado, considerada a média dos cinco primeiros meses de 2021, constata-se que ela se encontra apenas 15% acima do que foi registrado no mesmo período do ano passado, enquanto em comparação à média anual de 2020 o ganho (aparente) é de 24%. Aparente, esclareça-se, porque não há ganho efetivo. Ele foi consumido pelos custos que, na média desses cinco meses, registraram evolução anual superior a 50%.

Lembrando que a maior parte do aumento de custos vem sendo ocasionada pelo insumo-base do ovo, o milho – cujas altas começaram em 2020, potencializando-se em 2021 – justifica-se uma comparação com a situação vigente dois anos atrás, em maio de 2019. Pois nesses 24 meses a remuneração obtida pelo produtor do ovo aumentou 67%, enquanto o custo do milho evoluiu 178%. Ou seja: para adquirir, neste ano, o mesmo volume anterior de milho, o avicultor necessita, agora, de um volume de ovos quase 50% superior.

Esperava-se, ontem (31 de maio), algum sinal de reversão das condições de mercado, o que pode ocorrer nestes primeiros dias de junho. Mas, se a reversão vier, tende a ser breve e insuficiente para enfrentar os altos custos, pois o poder do consumidor – mesmo com a chegada dos salários e o pagamento de nova parcela do auxílio emergencial – continua curto, muito curto. Além disso, com a pandemia, não se pode mais contar com o consumo das Festas Juninas, que sempre propiciaram bom retorno ao setor.

Sob tal quadro, o que resta é a ação do setor produtivo. Mais do que nunca é primordial descartar poedeiras mais velhas e/ou de baixa produtividade. Do contrário os prejuízos continuarão se acumulando ano adentro.

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