Na primeira edição do documento “A Situação da Saúde Animal no Mundo”, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) enfocou as condições sanitárias animais observadas até os primeiros meses de 2025. Nele, dedicou várias páginas à análise da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), “doença que vem devastando a produção avícola, perturbando ecossistemas e ameaçando a segurança alimentar global”.
Não havendo como eliminar o problema, a OMSA enfatiza a necessidade de introduzir no meio avícola a vacinação contra a IAAP. Não como arma única, mas como ferramenta adicional à vigilância e às medidas de biossegurança – um tripé que, devidamente reforçado, pode minimizar não só o problema em si, mas também as tensões que hoje envolvem, mundialmente, todos os segmentos da produção avícola.
Veja, a seguir, algumas das considerações da OMSA acerca da adoção da vacinação contra a IAAP. Clique aqui caso queira acessar a íntegra do documento, publicado em inglês, francês e espanhol.
IAAP: Uma emergência global
A IAAP é mais do que uma crise de saúde animal: é uma emergência global que desestabiliza a agricultura, a segurança alimentar, o comércio e os ecossistemas. Lidar com seus impactos requer uma solução urgente e multifacetada para proteger economias, meios de subsistência e biodiversidade e, ao mesmo tempo, fortalecer a resiliência contra futuros surtos.
Cada vez mais, a vacinação contra a IAAP vem sendo considerada ferramenta complementar no manejo da doença devido ao aumento global de surtos e à crescente diversidade genética das cepas de vírus circulantes. Medidas tradicionais de controle sanitário, como o abate em massa, têm se mostrado custosas, tanto econômica quanto socialmente, levantando preocupações sobre sua sustentabilidade a longo prazo.
Embora a biossegurança, a vigilância e os controles de trânsito continuem essenciais, a vacinação pode complementar esses esforços, reduzindo a circulação do vírus dentro e entre os lotes, minimizando as perdas econômicas e reduzindo o risco de contágio para a vida selvagem e os humanos.
Além disso, quando implementada corretamente, a vacinação atende as normas internacionais de comércio, garantindo que os produtos avícolas permaneçam comercializáveis. Incentivar o desenvolvimento de vacinas eficazes também impulsiona a inovação na prevenção de doenças, reforçando uma abordagem proativa, em vez de reativa, no manejo da IAAP.
De acordo com Julian Madeley, Diretor Geral da Organização Mundial do Ovo (WEO), quando usada em conjunto com biossegurança e vigilância, a vacinação pode ser uma ferramenta muito útil para controlar a disseminação da IAAP em poedeiras.
“A doença de Newcastle serve como exemplo”, exemplifica ele. “Uma vez que adotamos estratégias eficazes de vacinação, ela se tornou um problema controlável. Surtos ainda ocorrem, mas não devastam mais a indústria como antes. Acreditamos que o mesmo pode acontecer com a IAAP se a vacinação for amplamente adotada juntamente com medidas rigorosas de vigilância.”
De fato, muitos países já lançaram campanhas de vacinação bem-sucedidas, incluindo a China, o maior produtor mundial de ovos, França, Guatemala, Cazaquistão e Peru. E, à medida que mais e mais países adotam a vacinação contra a IAAP, é crucial que tanto a vacinação quanto a vigilância sejam mantidas dentro do mais rigoroso e elevado padrão.
“Em resumo, tudo se resume à comunicação e à colaboração.” Madeley acrescenta: “Precisamos continuar defendendo a vacinação como ferramenta adicional, complementada pela biossegurança e pela vigilância. E devemos garantir que as melhores práticas sejam disponibilizadas às granjas para que possam executar essas medidas de forma eficaz.”