Cooperativas celebram ganhos no Paraná

O faturamento bruto das 217 cooperativas registradas no Sistema Ocepar, no Paraná, foi de R$ 116 bilhões em 2020, montante 16% maior que o do ano anterior. Deste total, 86% foram responsabilidade das 59 cooperativas do setor agropecuário. Já as sobras (lucro das empresas) cresceram 51,3% na mesma base de comparação, para R$ 5,6 bilhões, com as cooperativas agropecuárias respondendo por R$ 4,8 bilhões.

José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar, afirma que o resultado foi reflexo de uma situação momentânea, circunstancial. “Com a pandemia, houve uma demanda muito exagerada por alimentos em escala global. Vários países que não são produtores fizeram estoques. E, no setor alimentício, quando aumenta a demanda e a oferta está normal, você aumenta preços”, diz.

Com o câmbio favorável às exportações, as cooperativas agropecuárias também registraram nível recorde de vendas diretas ao exterior, de US$ 4,4 bilhões no ano passado, ou um terço das exportações agrícolas do Paraná em 2020, que somaram US$ 13,5 bilhões. Sozinha, a Coamo Agroindustrial Cooperativa, de Campo Mourão (PR), respondeu por US$ 1,5 bilhão. A empresa é a maior do Estado dentre todos os ramos, segundo Ricken.

“Os resultados de 2020 ficaram um ponto acima da curva e não podemos nos entusiasmar com eles. Precisamos nos planejar e olhar para a frente”, afirma o presidente do Sistema Ocepar. Entre os motivos para comemorar, de acordo com ele, estão o incremento de 19% no número de cooperados entrantes no sistema, que passou de 2,1 milhões para 2,5 milhões; no agronegócio, são 178 mil. E o aumento de 8,4% no número de funcionários diretos, que foi de 107 mil para 116 mil, com a geração de quase 10 mil postos de trabalho.

Dos sete ramos de atividade do Sistema Ocepar, o agro responde por 86% do faturamento. Depois aparecem as áreas de crédito e saúde (respondendo juntas por 10%) e os segmentos de transporte, infraestrutura, trabalho e consumo (com os 4% restantes).

Em 2020, a previsão do Sistema Ocepar é investir R$ 3,5 bilhões em infraestrutura no Paraná, principalmente em armazenagem, e também na agregação de valor de suas agroindústrias.

“Hoje, dois terços da produção agrícola do Paraná têm como destino as cooperativas e, felizmente, só metade desse volume já tem valor agregado, o que demonstra que temos espaço para crescer”, afirma Ricken. As bases desse crescimento, na visão dele, virão da agregação de valor à soja, às aves e aos suínos.

“As cooperativas trabalham para elas mesmas, geram sobras que são o oxigênio para mover as comunidades locais. Não queremos vender grãos para as tradings, mas entregar a proteína pronta para o cliente na outra ponta”, diz.

Para 2020, uma grande expectativa do Sistema Ocepar é que o Paraná se torne área livre de febre aftosa sem vacinação e passe a fazer parte do grupo de 14 Estados sem peste suína clássica.

“São medidas importantes para alcançarmos novos mercados, principalmente na Ásia e nos Estados Unidos”, diz Ricken, lembrando que hoje os produtos das cooperativas paranaenses já chegam a mais de 100 países.

No ramo da infraestrutura logística, espera-se que a iniciativa privada invista na concessão do Anel de Integração Rodoviário do Paraná, com 4,1 mil quilômetros, que deve gerar investimentos de mais de R$ 100 bilhões no longo prazo para o Estado.

“Esse pacote rodoviário é muito importante porque as cooperativas do Paraná vão continuar onde estão e temos uma defasagem em infraestrutura logística se nos compararmos a São Paulo, por exemplo”, afirma.

Segundo Ricken, o crescimento do Sistema Ocepar tem se baseado em um processo de profissionalização que começou na década de 1990, com um acompanhamento mensal das cooperativas. O trabalho inclui a análise de mais de 40 índices comparativos, que vão do seu perfil econômico e financeiro até a área social. “Isso nenhum Estado tem.

Com sua equipe especializada, a Ocepar atende às cooperativas, que se sentem mais amparadas”, afirma. Ele lembra que a margem líquida na atividade graneleira gira em torno de 2% e que em 2020 chegou a 5% em virtude do aumento da demanda por alimentos, o que não significa que o setor pode relaxar.

“Para conquistar mercados, você tem que reduzir custos, ser mais eficiente, melhorar a infraestrutura e buscar financiamento internacional, além do apoio do governo”.

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