Expansão dos casos de gripe aviaria coloca avicultura dos EUA em alerta máximo

A avicultura do país se encontra em alerta máximo e adota medidas para aumentar a biossegurança, temendo a repetição do surto generalizado de gripe aviária que em 2015 matou 50 milhões de aves em 15 estados e custou ao governo federal quase US$ 1 bilhão.

A indústria avícola e funcionários do governo afirmam que têm planos (desenvolvidos a partir de 2015) para agir mais rapidamente e impedir maior propagação, mas estão pedindo cautela, já que a cepa do vírus é potencialmente mortal para as aves comerciais. Os preços de ovos e das carnes de frango e de peru podem subir e a disponibilidade pode cair se grande número de aves for infectada.

“Definitivamente, encontramo-nos em um período de alto risco com a confirmação de casos de alta patogenicidade na avicultura comercial”, afirma a Dra. Denise Heard, Médica Veterinária e Vice-Presidente de Pesquisas da Associação de Aves e Ovos dos EUA. “Tenho certeza de que, hoje, podemos lidar melhor com essa situação, mas cruzo meus dedos para que os casos observados sejam isolados. Enfim, espero o melhor, mas estou preparada para o pior”.

Autoridades de saúde dizem que nenhum caso humano da infecção foi detectado nos EUA e que a doença não representa um problema imediato de saúde pública. O vírus pode se espalhar de aves infectadas para pessoas, mas essas infecções são raras e não levam a surtos sustentáveis entre humanos.

O surto de 2015 forçou os produtores a matarem 33 milhões de galinhas poedeiras em Iowa, o principal produtor de ovos do país, e 9 milhões de aves em Minnesota, o principal produtor de perus do país, com surtos menores em Nebraska, Dakota do Sul e Wisconsin. A doença fez com que os preços dos ovos e do peru em todo o país disparassem por meses, com o custo dos ovos subindo 61% e os preços do peito de peru subindo 75% entre maio e julho de 2015.

Os surtos foram considerados o desastre de saúde animal mais caro da história dos EUA, custando ao governo quase US$ 1 bilhão para remoção e descarte das aves infectadas e pagamento de indenizações aos produtores pelas aves perdidas.

A cepa que circula agora é a H5N1 e está relacionada ao vírus de 2015. Ele circula há meses na Europa e na Ásia e foi encontrado no Canadá em aves selvagens e em um lote comercial uma semana antes da identificação do primeiro caso nos EUA.

Aves selvagens migratórias geralmente carregam cepas de gripe aviária, normalmente de baixa patogenicidade, o que significa que não matam as aves. Às vezes, essas cepas podem infectar planteis domésticos e se transformar em vírus mais mortais. O H5N1 que agora se dissemina a partir de aves selvagens já é altamente patogênico, o que significa que é mortal desde o início, comenta a Dra. Yuko Sato, Médica Veterinária e professora assistente do Departamento de Diagnóstico Veterinário e Medicina Animal de Produção da Iowa State University.

Nas últimas semanas, os serviços de vigilância dos EUA identificaram a presença do vírus em aves selvagens em New Hampshire, Delaware, Carolina do Norte, Virgínia, Flórida e Carolina do Sul, deixando evidente sua presença no meio ambiente em geral.

O vírus se espalha facilmente a partir de excrementos de aves selvagens e pode ser transportado para lotes comerciais nos pés dos trabalhadores ou em equipamentos, razão pela qual o protocolo de biossegurança de alto nível foi ativado em todo o país em operações comerciais. Eles adotaram novas salvaguardas para prevenir infecções mortais da gripe aviária, muitas vezes referidas como HPAI, e isolá-las quando ocorrem.

“Colocando em prática os maiores esforços preparatórios que o USDA e seus parceiros desenvolveram desde o surto de HPAI em 2015, estamos totalmente preparados para lidar com as novas ocorrências”, afirma Lyndsay Cole, porta-voz do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal do USDA, órgão que lida com o assunto nos EUA.

Atuando em conjunto com a indústria avícola, autoridades federais e estaduais iniciaram a adoção das medidas pertinentes, como o estabelecimento de quarentena imediata – que restringe o movimento de aves e equipamentos em torno de um perímetro de 10 km do foco – e a erradicação do vírus através do sacrifício sanitário e remoção das aves do local da infecção. Testes são realizados em áreas sob quarentena, tanto de aves comerciais como selvagens. Desinfecções são realizadas para matar o vírus nas granjas afetadas e novos testes são realizados para confirmar que estão livre do vírus.

Os produtores que desejam garantir elegibilidade ao pagamento de indenizações governamentais em caso de desastre devem ter em mãos um protocolo de biossegurança atualizado regularmente. Para auxiliar nesse processo, o USDA desenvolveu um plano de biossegurança de 14 pontos para produtores, que é auditado anualmente e revisado a cada dois anos por agências estaduais de agricultura, disse Sato.

Em Iowa, um estado com 49 milhões de galinhas, os produtores de ovos estão trabalhando com autoridades estaduais e federais para manter a doença fora de seus rebanhos, disse Kevin Stiles, diretor executivo da Iowa Poultry Association e do Iowa Egg Council.

“A IPA mantém comunicações abertas especificamente relacionadas às melhores práticas de biossegurança e oferece testes de vigilância. Estamos confiantes no grau de preparação de nossos produtores e na capacidade de manejar seus rebanhos”, disse ele.

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